domingo, 26 de setembro de 2010

A Place In This World


Ela, corajosamente, puxou o freio de mão e saiu, apontando os faróis para as colinas mais próximas, sem se importar de fato com a direção que tomava. Tudo era diferente, a placa do carro, o corte de cabelo e até seu nome, alguns acessórios que ela jurou nunca usar completavam o conjunto com a garrafa térmica de café, e toda a adrenalina seguia aos 115 km/h. Do capo do carro ela finalmente pôde encarar o horizonte sem peso nas costas, de um modo diferente, por mais que fosse o mesmo horizonte cuja imensidão a abençoou em todos os outros dias de sua vida. Longe de qualquer monstro de armário, até a atmosfera era diferente, e a almejada paz momentânea proveniente do isolamento a causava arrepios e a fazia sorrir um sorriso engraçado, de dentro pra fora.

domingo, 19 de setembro de 2010

Você não sabe o quanto dói, e há tanto tempo dói que coisas cada vez menores machucam. E é fácil não agüentar mais, é fácil querer fugir, complicado é encarar, não que eu o tenha feito.. e é fácil pra você se importar depois que eu cheguei ao meu limite, é fácil falar na hora em que você quer falar e me esperar responder, mas eu não tenho mais forças para responder, para respirar, para correr pra ti. Não dessa vez. Você vai ter que usar todas as letras comigo, como eu já fiz contigo, ser implícito e cabeça-dura não é fazer a sua parte, ser sincero com a gente é fazer a sua parte.
Eu te amo demais. A gente sabe que é amor quando dói.

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Le chat

Com a raiva no clímax, ela bateu a porta do apartamento ao entrar, varreu o pequeno lugar com os olhos e se deparou com um vaso chinês, do qual a originalidade era contestável, o estrangulou com as mãos e o explodiu na parede ao arremessá-lo de modo terapêutico. Os cacos do vaso chinês, que um dia foi presente do noivado que não deu certo, coloriam o chão de madeira com seus tons mortos de verde e dourado. A mulher, quando se cansou de examinar os pedaços da porcelana, se deixou cair sobre o sofá de couro e abraçou os joelhos. Seu gordo gato se arrastou preguiçosamente até o pé do móvel e lá permaneceu, adormecendo junto com sua dona, porém com as orelhas voltadas para a porta, em alerta, como se a quisesse proteger da noite, da chuva e dos perigos do lado de fora.

sábado, 21 de agosto de 2010

Ant

You: i know i'm just a stranger on the internet, but if u know about the brainwash thing, why r u there? cant u..like.. give up?
You: i mean..it doesnt really matters if its a job, u cant mess with life
Stranger: Christ I'm just a fucking monster
Stranger: Ann, you've really opened my eyes
You: its gonna be fine, u can change things, u just have to get outta there
Stranger: im gunna move somewhere far away from Britain when I get home
Stranger: they've just fucked with our heads
Stranger: the bastards
You: please,be safe
Stranger: you should see me now a royal marine crying his eyes out
You: u are a human, u are made to cry
You: tu hurt, to be hurt, to forgive and to get over
Stranger: if I met u I would hug u and say thank you
You: i'm about to cry too
Stranger: really?
You: u shouldnt make little girls cry, u know?
Stranger: ur not a little girl, u r a fantastic woman
Stranger: this would be a story to your friends, a marine fucks everything up and cries
Stranger: i just wanna get home
Stranger: 5 months down 7 to go
You: u're strong enough. u can handle it
You: dont let anyone harm u in any way
Stranger: u changed me for the better
Stranger: thank you
You: thank you
Aparentemente tudo aquilo que eu julgava meu era de uma fragilidade intensa, que com algumas palavras e um sopro decidido, se tornaram pó n'um som de cristal e se esvaíram com a brisa que pareceu sair de meus próprios pulmões, me levando o fôlego. Indefesa, fui ao chão, com as mãos prensando a barriga, enquanto eu digeria as diversas informações que circulavam meu corpo com seus sorrisos zombeteiros.