quinta-feira, 24 de março de 2011

Be the change

E Março passou arrastado, despercebido. Você esperava algo extraordinário acontecer, dar um tapa na sua cara e mudar sua vidinha completamente. Te livrar da rotina. Tentou se agarrar a amores impossíveis, planos infalíveis e vontades desprezíveis, até finalmente se dar conta de que nada vai acontecer espontaneamente e te erguer do chão. Batalhar pelos seus sonhos parece difícil, eu sei, impossível as vezes, tornando uma espera cármica a opção mais fácil, mas bem la no fundo, tanto eu quanto você sabemos que esperar não dá em nada. Mantenha suas válvulas de escape por perto, mas se jogue no esforço, na tentativa, para enfim atingir algo, sua meta. Meta alcançada com seu trabalho, seu, de mais ninguem, teu mérito. Nada pior que auto-ajuda, mas fica valendo o lembrete, o contexto, eu, tal. Levante da cadeira e pare de postar, Anaïs. Pare de fingir.
Quando ser é mais difícil do que eu imaginava.

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Relatos de folha de caderno

Todos os dias ela chegava em casa, chutando os sapatos sempre coloridos junto à porta, preparava sua xícara de café amargo e se largava no sofá com seu bloco de notas. Ela podia passar horas escrevendo sobre seu amor sem parar para respirar, mas ela gostava de se movimentar. Ora rolava no sofá, ora se sentava à mesa, ora caminhava. E eram páginas e mais páginas diárias de um amor inigualável e arrebatador. Depois do banho cantado, ela se sentava ao computador aguardando a chegada de seu querido, aproveitando para digitar suas obras do dia. Metodicamente coloria e selecionava as palavras que teriam destaque, tais como Paixão, Razão e Vida, dependendo do dia, e empenhava-se em formatar seu texto. Hora vai hora vem, o tec-tec do teclado ecoava pelas paredes do apartamento. Depois da imagem adequada, tudo era postado em seu blog privado e ela se retirava para um lanche. Os pés pendiam do sofá, ela adormecida, o relógio perdia a hora, porém ouvia-se um tilintar de chaves na fechadura. Ele finalmente adentrara, acendendo a luz, largando a mochila na cadeira e coçando a nuca. Uma ducha rápida e cama, ele roncava alto no quarto quando ela acordou. Ela andou cuidadosa até a cama, puxou os lençóis mais para junto de seu amado, afagando-o e admirando-o. Postou-se cuidadosamente ao seu lado e roçou os pés frios nos dele, imóveis, extasiando-se com o calor imediato que percorreu seu interior, então adormeceu sorrindo de alma e corpo. Mais um dia. E como ela era feliz, amando-o incondicionalmente.

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Como não sentir falta do tempo dos tempos aonde palavras não eram necessárias? Quando o contato não era obrigação, mas uma necessidade? Mas como me foi dito, todo mundo vai e vem. Feito miragem num momento estão lá, no seguinte é só a lembrança. Ou quem sabe a ilusão.

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Wondergirl

Era uma vez, uma garotinha que cruzou a toca do coelho e conheceu um mundo mágico. Ajudou personagens curiosos, perseguiu indivíduos de relógio, comeu cogumelos alucinógenos e jogou cricket com a rainha. Mas uma vez que ela estava em casa, aonde lagartas não falavam, gatos não sorriam e coelhos não se atrasavam, ela voltou a nadar em lágrimas - de tamanho real - e desde então nada mais a satisfez. Suas expectativas de reencontrar o mundo perdido a consumiram por anos e anos, e ela cresceu.
Alguns dizem que ela vai acabar cortando a própria cabeça, outros que ela buscará a nostalgia nos doces, mas eu, particularmente, desejo satisfação à insatisfeita.
Gostaria de um dia dividir um chá com ela, em seu aniversário, ou não, e convencê-la de que o meu mundo é igualmente maravilhoso, mesmo que em aspectos diferentes. Ou, pelo menos, é o que eu gosto de dizer à mim mesma.

sábado, 25 de dezembro de 2010