terça-feira, 1 de abril de 2008

Papel de bala

Passou a mão na cabeça latejante e a afundou nos braços cruzados sobre a mesa, passou algum tempo curtindo a sensação de seu nariz tocando na madeira fria, respirou fundo e resolveu voltar para a aula. Encarou o quadro de giz e a professora baixinha que andava de um lado para o outro sobre o batente na frente da sala, deu uma breve olhada nos colegas que atiravam qualquer coisa uns aos outros e suspirou. Tédio. Um par de olhos conhecidos se encontrou com os dela.
- Tudo bem?
A garota pensou um pouco.
- É. Tudo.
- Mesmo? - A segunda perguntou.
- Mesmo. - Assegurou, fechou os olhos e voltou sua atenção para os neurônios que estavam prestes a explodir dentro de sua cabeça.
- É, você parece ótima. - A segunda rebateu, irônica.
- Pareço? Nossa, eu finjo bem.
- Pois é, engraçadinha. E aí, vai me contar o que tá pegando?
- Quando eu descobrir te aviso. Coisa do momento, eu sei lá.
- Maldita puberdade! - A segunda brincou.
- Pois é. Sempre culpa dela! - A primeira sorriu.
Os olhos sorridentes se admiraram por um tempo.
- Será que as mocinhas podem me dizer qual é a graça? - A mulher baixa que resmungava qualquer coisa na frente da sala voltou sua atenção para as duas garotas.
- Nenhuma, professora. - A primeira afirmou.
- É. Deve ser a puberdade. - A segunda brincou.
A mulher baixa resmungou algo do tipo 'odeio adolescentes' e voltou a sua monótona explicação. As garotas riram para elas mesmas e voltaram a se concentrar em coisas interessantes como a mosca que sobrevoava as mochilas ou aquele belo papel de bala caido.

3 comentários:

I disse...

É como eu sempre digo: A ADOLESCÊNCIA É UMA MERDA :D

I disse...

Eu tô preparando vocês.
Porque tenho um pressentimento de que eu vou antes,vou primeiro.

D. disse...

adolescência é uma bostinha mesmo!