segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Wondergirl

Era uma vez, uma garotinha que cruzou a toca do coelho e conheceu um mundo mágico. Ajudou personagens curiosos, perseguiu indivíduos de relógio, comeu cogumelos alucinógenos e jogou cricket com a rainha. Mas uma vez que ela estava em casa, aonde lagartas não falavam, gatos não sorriam e coelhos não se atrasavam, ela voltou a nadar em lágrimas - de tamanho real - e desde então nada mais a satisfez. Suas expectativas de reencontrar o mundo perdido a consumiram por anos e anos, e ela cresceu.
Alguns dizem que ela vai acabar cortando a própria cabeça, outros que ela buscará a nostalgia nos doces, mas eu, particularmente, desejo satisfação à insatisfeita.
Gostaria de um dia dividir um chá com ela, em seu aniversário, ou não, e convencê-la de que o meu mundo é igualmente maravilhoso, mesmo que em aspectos diferentes. Ou, pelo menos, é o que eu gosto de dizer à mim mesma.

sábado, 25 de dezembro de 2010

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Uma história verdadeira

O homem se ajoelhou aos pés dela, com o olhar marejado e borboletas no estômago, puxou o próprio coração do bolso interno do casaco e o ofereceu à mulher que o observava com um sorriso no rosto. Ela tocou o órgão quente com a ponta dos dedos frios e se ajoelhou também, o rosto perto do rosto do homem. Ele respirava rapidamente, e se o seu coração não estivesse na palma das mãos, com certeza estaria tentando sair pela boca. A mulher passou os dedos leves pelo cabelo do homem, acariciando sua nuca, e com o mesmo sorriso com o qual chegou, ela partiu, sem dizer nada ou sem ao menos olha-lo nos olhos. O homem permaneceu onde estava, no chão, com lágrimas rolando o rosto e um pulsar fraco e desritmado nas mãos trêmulas. A mulher e sua expressão da vinciana flutuaram para longe, guiadas por um par de olhos foscos e um coração impermeável.
E o mesmo aconteceu com a fila de homens que a seguiu, encantados com o seu ar misterioso, porém cegos o bastante para não reparar na falta de humanidade no fundo de seus olhos.

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Encontrado entre as páginas amarelas de um best-seller qualquer

É com um gosto amargo na boca que eu admito desconhecer a sua real identidade, porém para mim o formato dos seus lábios se tornou inconfundível, bem como o ranger dos seus sapatos e o seu jeito de estalar-dedos. Queria poder ter dividido meus sorrisos contigo, até porque com você eu sorriria sem motivo, como já fiz algumas vezes ao te observar de longe. Seu nome do meio não me importa mais do que o mundo de coisas que você pode dizer ou esconder com um olhar, sua conta bancária não me excitaria mais que os seus lábios sussurrantes ao meu ouvido, a organização do seu apartamento não me intrigaria mais do que os seus olhares perdidos no meu rosto e nada se compararia a dividir minha respiração com você. Quero que saiba que por vezes você foi meu, de longe, ao existir, ao bocejar de manhã cedo e pronto, eu era sua, você era eu - por entre as estantes da biblioteca abarrotadas de histórias pra contar. Elas presenciavam mais uma, a nossa história de amor proibido. Minhas limitações me impediram de me apresentar pra você, mas eu sei que você já me notou, ou ainda notará, e se apaixonará pelo meu amor puro e incontestável. Quando você entra, o vácuo é imediato e minha visão embaça, mas eu luto contra os sintomas para não perder sequer um segundo de você. Você, minha contra-indicação e ao mesmo tempo, meu remédio.

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Com o que é meu, eu faço o que quiser


Caminhava eu pela calçada agitada de um local que me trás lembranças, devaneando sobre de quem seria a culpa sobre o fim de assuntos antigos, quando esbarrei naquele garoto, magro, alto, preocupado com coisas fora de meu alcance. Ele e suas sobrancelhas arqueadas me gaguejaram um pedido tímido de perdão, e com um último olhar se perderam no fim da minha rua. Sua aflição me capturou de um jeito que eu não sei explicar, só sei que gastei muitos de meus disponíveis minutos em bolar situações e destinos para aquele garoto, e gostei da versão em que ele pisou na bola com um alguém especial, e está correndo até o canteiro para colher uma flor amarela e perseguir sua garota, olhando-a nos olhos e esclarecendo o assunto. Ela reluta, ele se aproxima, ela deixa escapar um meio sorriso, ele suspira de alivio com o coração leve, ambos se riem e tudo termina bem ao acabar bem. Meu garoto alto e tímido eu nunca mais vi, mas isso não o fez menos importante no meu dia, porque se ele tiver pensado em mim uma fração do quanto eu pensei nele, nós fizemos uma diferença na vida um do outro. E ao som de um violão recém-afinado, dedilhado suavemente numa praça antiga por um homem qualquer, nos esvaimos em poeira, nos misturando com as folhas da calçada, ao lado de um carro antigo. Nunca mais nos vimos.
Mesmo que só faça sentido pra mim.
E não que realmente faça.

domingo, 26 de setembro de 2010

A Place In This World


Ela, corajosamente, puxou o freio de mão e saiu, apontando os faróis para as colinas mais próximas, sem se importar de fato com a direção que tomava. Tudo era diferente, a placa do carro, o corte de cabelo e até seu nome, alguns acessórios que ela jurou nunca usar completavam o conjunto com a garrafa térmica de café, e toda a adrenalina seguia aos 115 km/h. Do capo do carro ela finalmente pôde encarar o horizonte sem peso nas costas, de um modo diferente, por mais que fosse o mesmo horizonte cuja imensidão a abençoou em todos os outros dias de sua vida. Longe de qualquer monstro de armário, até a atmosfera era diferente, e a almejada paz momentânea proveniente do isolamento a causava arrepios e a fazia sorrir um sorriso engraçado, de dentro pra fora.

domingo, 19 de setembro de 2010

Você não sabe o quanto dói, e há tanto tempo dói que coisas cada vez menores machucam. E é fácil não agüentar mais, é fácil querer fugir, complicado é encarar, não que eu o tenha feito.. e é fácil pra você se importar depois que eu cheguei ao meu limite, é fácil falar na hora em que você quer falar e me esperar responder, mas eu não tenho mais forças para responder, para respirar, para correr pra ti. Não dessa vez. Você vai ter que usar todas as letras comigo, como eu já fiz contigo, ser implícito e cabeça-dura não é fazer a sua parte, ser sincero com a gente é fazer a sua parte.
Eu te amo demais. A gente sabe que é amor quando dói.

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Le chat

Com a raiva no clímax, ela bateu a porta do apartamento ao entrar, varreu o pequeno lugar com os olhos e se deparou com um vaso chinês, do qual a originalidade era contestável, o estrangulou com as mãos e o explodiu na parede ao arremessá-lo de modo terapêutico. Os cacos do vaso chinês, que um dia foi presente do noivado que não deu certo, coloriam o chão de madeira com seus tons mortos de verde e dourado. A mulher, quando se cansou de examinar os pedaços da porcelana, se deixou cair sobre o sofá de couro e abraçou os joelhos. Seu gordo gato se arrastou preguiçosamente até o pé do móvel e lá permaneceu, adormecendo junto com sua dona, porém com as orelhas voltadas para a porta, em alerta, como se a quisesse proteger da noite, da chuva e dos perigos do lado de fora.

sábado, 21 de agosto de 2010

Ant

You: i know i'm just a stranger on the internet, but if u know about the brainwash thing, why r u there? cant u..like.. give up?
You: i mean..it doesnt really matters if its a job, u cant mess with life
Stranger: Christ I'm just a fucking monster
Stranger: Ann, you've really opened my eyes
You: its gonna be fine, u can change things, u just have to get outta there
Stranger: im gunna move somewhere far away from Britain when I get home
Stranger: they've just fucked with our heads
Stranger: the bastards
You: please,be safe
Stranger: you should see me now a royal marine crying his eyes out
You: u are a human, u are made to cry
You: tu hurt, to be hurt, to forgive and to get over
Stranger: if I met u I would hug u and say thank you
You: i'm about to cry too
Stranger: really?
You: u shouldnt make little girls cry, u know?
Stranger: ur not a little girl, u r a fantastic woman
Stranger: this would be a story to your friends, a marine fucks everything up and cries
Stranger: i just wanna get home
Stranger: 5 months down 7 to go
You: u're strong enough. u can handle it
You: dont let anyone harm u in any way
Stranger: u changed me for the better
Stranger: thank you
You: thank you
Aparentemente tudo aquilo que eu julgava meu era de uma fragilidade intensa, que com algumas palavras e um sopro decidido, se tornaram pó n'um som de cristal e se esvaíram com a brisa que pareceu sair de meus próprios pulmões, me levando o fôlego. Indefesa, fui ao chão, com as mãos prensando a barriga, enquanto eu digeria as diversas informações que circulavam meu corpo com seus sorrisos zombeteiros.

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Destrinchando epifania

O sentir do macio das tuas costas ausentes por lei, na gravidade de toda a geografia que eu desconheço - do espaço vazio de onde você deveria estar só sobra o contorno pontilhado. As vezes no olhar a gente sente, e daí provem o rubor, contestável ou não, naqueles momentos característicos. A aflição toda é o estratosférico diâmetro do tempo, multiplicado pela probabilidade monogâmica e exclusiva dos sentimentos inconstantes que afogam. E nesse vai e vem de mim, canto ao vento tentando espantar as variáveis, e, ao mesmo tempo, te fazer me escutar.
Você sabe o que esperar das pessoas?

?..es E

E se..?
E se..?
E se..?
E se..?
E se..?
E se..?
E se..?
E se..?
E se..?

domingo, 8 de agosto de 2010

domingo, 1 de agosto de 2010

Drive my car


hehe (6)
Te amo, Anaïs cara de chafariz.

terça-feira, 27 de julho de 2010

Do branco da folha,
dos olhos,
das nuvens
você me observa, torcendo para os nossos atritos sumirem com a chuva, mas eu te digo, meu bem, que não é possível esse eu e você, porque é eu ou você no jogo da vida. Se esse eu com você não fosse tão bom, tudo seria mais fácil e tropeçar em ti não seria
preciso.
Outro trago na piteira e a gente se esvai em fumaça, flutuando, se completando e se dispersando com a brisa que ondula os cabelos soltos. Sussurros mal-interpretados se perdem no vento, como num telefone-sem-fio, e te entram por um ouvido, me saem pelo outro e fica um
eu não sei dizer
eu não sei porquê
onde está você?
não vamos mais nos ver
Fruto de um disse-que-me-disse, que de fato era real, mas menos mal a nossa falta de correria descarrilhante de trens. Te encontro daqui uns tempos, sozinhos eu e você, onde a gente planejou, sem ninguém pra palpitar, porque de palpitações a gente tá cheio. Te contei num dos meus sonhos
ou num sorriso
ou num suspiro
que o que você quer eu quero:
por aí de pés descalços
plantada no pé de uma árvore, me lembrando de como é bom esse cotidiano confortante, sussurro delirante, presente viajante
que a gente
tem
terá
teria.


terça-feira, 22 de junho de 2010

Homesick

Revirando as caixas empoeiradas e iluminadas pelos feixes dourados de luz que atravessavam a esburacada parede de madeira do sótão, me vi diante daquela que continha o passado que eu decidi deixar para trás. O caminhão de mudança me esperava na calçada, mas eu não tinha pressa. Atravessei o mundo de cacarecos e fotografias que transbordavam da caixa, chegando ao fundo. Tateei e envolvi com os dedos algo que havia passado despercebido na primeira vez que vasculhei a caixa parda, uma fita de áudio. Apertei-a contra o peito pensando se valeria a pena revelar os segredos da mesma, ou se seria melhor deixar o passado de lado definitivamente. Não demorou muito para eu descer as escadas correndo com a fita n'uma mão e o toca-fitas na outra, empilhar as ultimas caixas no caminhão e seguir no meu carro.
Minha nova casa não era longe dali, mas era nova, e assim, um refúgio. Quando me vi sozinha, cercada pelas pardas caixas de papelão triste, pelas quatro paredes brancas do cômodo, encarando o estrado da cama, resolvi que era hora de enfrentar a tal da fita. Sentei no chão com o aparelho, soprei a fita para não perder o hábito e a inseri. O que saiu das caixas de som, além de uns estalos, um risinho abafado e uns murmúrios foi uma melodia de violão conhecida. Com um quê nostálgico. Demorei um tanto para reconhecer a melodia que me embalou todas as noites em que eu dormi na casa de meu avô. Tão frágil, tão meu, tão inalcançável. Esse negócio de 'lugar melhor' não existe, nada era melhor do que você comigo. E mais uma vez, as lembranças me invadiram por uma pontada no ventre, subindo quentes até a garganta. Minha testa pressionada contra o chão frio e eu me dando conta de que talvez eu nunca aceite 'o ciclo natural das coisas'.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Eu, o problema meu

Minha testa arde nessa febre psicológica, meus olhos inchados escorrem sem saber, mas é esse mix de coisas que me afligem que me dói demais. Tanto, tanto que me falta, que me vem, que mexe comigo, me modela, me arranca o sentido que eu nem sei
mais.
O que.
Pensar.

Tem o que eu não quero, o que eu não aceito e o que eu sinto. Tem os hormônios, a pressão e os paradigmas. Tem as cores, as flores e os cheiros. E é um tudo de uma vez que me borbulha as entranhas e cresce e sobe e arde. Arde sem doer de vez em quando, mas é esse um dos problemas. Afinal. Afinal o que?
Milhões
de coisas.

O carrossel que são as relações humanas, as expectativas alheias, o meu oceano sentimental e o tudo mais se chocam de um jeito que eu fico achando que nem 43 seria a resposta. Me tira uma conclusão. Me tira. Tira.

domingo, 30 de maio de 2010

Letras perdidas na grama

O formigamento da ponta do nariz correu aos dedos, percorrendo o corpo em forma de impulsos elétricos que saltavam e ziguezagueavam pelo sistema nervoso, desritmando, acelerando, embolando, tocando, esquentando e sorrindo. Das pupilas dilatadas à cor dos olhos, tudo conseguia ser estranhamente novo, estranhamente nítido e estranhamente nosso.

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Rhapsody

Esvazio os pulmões e trago a tranqüilidade que você emana, a esperança invade meus pulmões de súbito e eu abro os olhos. Você está ali onde eu deixei, sorrindo pra mim por trás do seu-meu par de óculos favorito e eu sorrio de volta, aliviada. Você me puxa para o seu encontro, me cobrindo com seus braços e escondendo meus lábios, afastando-os do frio. E assim minha mente enlouquece em piruetas e estalos, enquanto tudo o que você faz é ser você, mas ser você comigo é mais do que eu preciso.

terça-feira, 11 de maio de 2010

Where'd you go, sun?

Pride doesn't matter when you have a chance to be set free.

domingo, 9 de maio de 2010

Musa das queimaduras de sol

Enquanto você se pergunta qual o sentido de toda essa merda, o vento sopra o silêncio de modo circular de rosto em rosto, o sol se esconde atrás das montanhas, com sua incandescência rosa no céu alaranjado e a terra solta o cheiro úmido de chuva. Na ponta da língua da mãe natureza você se encontra, deslizando garganta abaixo para as duras entranhas da vida, com medo, sozinho, movido a reprimidos solos de baixo que nunca te levarão a lugar algum. Sua alma guerreira incendeia as correntes e você se agarra como pode, escalando, rastejando no barranco no qual você caiu por um sonho que não mais habita suas asas. Ao fechar os olhos, sente-se o borbulhar quente correr pelas suas veias, mas você não tem mais medo. Deixe o amor escapar do nó ao qual tuas cordas vocais o submeteram, livre-se dos fios que guiam tuas mãos e chute longe tudo o que fizer de ti uma marionete. Aspire toda a melodia que puder, mas nunca deixe a brasa dos teus olhos se apagar, porque sem a tua individualidade, o que te resta?

Minhas mãos nas suas mãos ao piano. E o nexo, defenestrado.

quinta-feira, 6 de maio de 2010

A verdade é que todos os dias eu decido que vou te deixar ir, que essa história toda já deu o que tinha que dar e que sou melhor sem você.
A verdade é que eu não sei o que é melhor pra mim.
A verdade é que talvez eu devesse ir, eu devesse mudar, eu devesse parar de esperar que algo aconteça, eu devesse parar de jogar pedras na sua janela e de me esconder antes que você consiga aparecer no parapeito.
A verdade é que quando eu te encontrar amanhã, meu estômago vai revirar como se eu não soubesse a verdade.
A verdade é que eu estou contracenando com um conto de fadas.
A verdade é que eu não me importaria de sonhar por mais cinco minutinhos.
A verdade dói.

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Só os loucos sabem


Era amarelo o pingo de tinta que caiu na minha folha, até então, branca. A medida que ele se espalhava, você ia aparecendo na folha sobre a prancheta, sorrindo, se divertindo com aquele teu inseparável par de óculos. Um arrepio correu pelo meu corpo com a velocidade do filme que se passava diante dos meus olhos. Lógico que eu havia perdido completamente a razão, mas o Dionísio em mim só incentivava. Eu me lembro de tudo, você estava aqui com aquele seu jeito que me faz sorrir por dentro; eu, você e o amarelo no branco.
O violão proveniente das caixas de som provocava formigamento na ponta dos meus dedos, dedos estes que foram de encontro a todo aquele amarelo, espalhando-o. E num instante você estava em toda a folha, no chão, no quarto e - mais do que tudo - em mim.
Em mim; na disritmia do meu coração, no suspiro dos meus pulmões, no cobre dos meus olhos, e como se não bastasse, sob os meus pés, me roubando o chão.
Suas mãos deixaram saudade nas minhas
Seu sorriso deixou saudade no meu

Dedico este ao teu abraço quente, ao teu jeito engraçado de comer e ao teu jeito de andar, se apoiando em mim, de leve.

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Silent

Atravessavam simultâneamente a rua, homem e garoto. Os dois seguiram o mesmo sentido pela mal-iluminada calçada da rua 8, com passos tranqüilos. O homem se virou rapidamente para examinar o dono dos passos que o seguiam, o garoto nem levantou os olhos, ambos prosseguiram com a caminhada. O garoto apertou o passo sem deixar de pisar leve, se aproximando do homem, já podia toca-lo, já podia sentir o rastro de seu cheiro, era tudo tão real e excitante de um jeito peculiar. Numa seqüência de movimentos rápidos e no exato momento em que a dupla passava por um poste apagado, o garoto puxou o homem pelo braço, virando-o para si, deslizou um facão da manga de seu próprio casaco e enterrou sua lâmina no peito do homem desavisado. Silenciosamente o homem caiu, o ar lhe escapava pelo peito aberto, ele gemeu uma única vez e morreu na calçada da rua 8. O garoto sequer parou de andar, seguiu por mais duas ruas, entrou em sua casa, se trancou no quarto e fez o que fazia todas as noites, plugou a pistola no video-game e jogou.

segunda-feira, 19 de abril de 2010

- Como você não vê?! - Explodiu a menina.
- Estou fascinada por você, porra, é só seguir meus olhos - ela continuou - passo meus minutos procurando você e quando acho, pago de durona e não vou falar contigo, mas é só medo. Me cago de medo de você me rejeitar, de te assustar, de te afastar, tou pirando!
Ela suspirou alto, quebrando o silêncio provocado por si mesma. Prosseguiu:
- Talvez seja só uma fase, não sei bem o que sinto, o que dizer, não é amor, mas é uma vontade muito grande de estar com você. Só estar. Do teu lado, literalmente. Sério, é incontrolável. No silêncio, essa vontade me acerta com tudo na boca do estômago, é de fazer perder o ar. - Ela parou. Lacrimejava e apertava nervosamente os nós dos dedos. Seus olhos castanhos corriam de um lado para o outro, procurando um porto seguro, mas não conseguiam se fixar em nada. Tudo doía.
- Quando dói muito forte, eu ponho música alta, tão alta que me impede os pensamentos. Mas toda vez que silencia, você brota na minha cabeça, feito erva, e eu sinto você se enraizando cada vez mais fundo em mim e sei que quando você for embora vai levar um tanto de mim contigo, porque agora muito de você já sou eu.
Ela esfregou o nariz na manga da camisa e encarou indagativa o par de olhos castanhos que a examinavam com a mesma curiosidade, mas não obteve nem resposta, nem comentário, nem nada. Era só ela e o silêncio.
- Sabe quando você se identifica com alguém? - Ela tentou mais uma vez. - Quando você tem a certeza de que conheceu alguém n'outra vida ou quando duas pessoas se dão bem rápido demais? E aí você sabe que, não importa como, vocês têm que ficar juntos. É o que eu sinto, e a gente não pode jogar isso pela janela porque eu sei que você sente também! Nos dá uma chance..
Seu olhar fragilizado se perdeu novamente, e em poucos segundos se converteu em chuva. A menina deixou-se cair em frente ao espelho que a havia escutado pacientemente até então, e chorou. Com a testa contra a de seu reflexo frio, a menina empurrou por entre os dentes:
- Eu não vou conseguir..

domingo, 18 de abril de 2010

terça-feira, 13 de abril de 2010

Fuel for my heart:

♥ night sky
♥ music
♥ brotherhood
♥ running
♥ butterflies
♥ after-kiss smile
♥ airplanes
♥ drums
♥ light
♥ fire
♥ geometric shapes
♥ hope
♥ textures
♥ heat
♥ e-vil
♥ moustaches
♥ love
♥ you.

domingo, 11 de abril de 2010

Not hard to let it go

Foi melhor mesmo você não ter me dito adeus, assim posso te deixar ir e o que sobra é só o rastro do teu cheiro e o sussurro do seu assovio. Se perdendo com a brisa, passando pelas árvores, entrando por um ouvido e saindo pelo outro para nunca mais voltar.
E daqui em diante sorrirei sem motivo, porque não devo nada a ninguém.

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Fim da corrente musical

Porque de tudo o que já aconteceu comigo, a única coisa da qual eu não posso me esquecer é daquele seu sorriso iluminando minha noite, como um fósforo.. não, maior, como fogos de artifício! Com um flash, teu sorriso acendeu alguma coisa dentro de mim, que vai queimando voraz enquanto eu tento apagar, em vão. Talvez eu só não esteja me esforçando o bastante, porque se eu me livrar desse incêndio, o que sobra? Já não me lembro o tom exato dos seus olhos ou a espessura das suas sobrancelhas, o contorno do seu nariz já não é mais tão certo e o formato do seu rosto talvez não seja fino como eu tenho em mente, mas desse seu sorriso eu sei todos os detalhes e cores de cor. E ainda me sobe pela espinha um arrepio toda vez que penso nele.

Day 23 - A song that you want to play at your wedding: In My Life - The Beatles. Além de ser linda, acho que meu pai ia adorar ouvir aos Beatles no meu casamento :)
Day 24 - A song that you want to play at your funeral: Here Comes The Sun - The Beatles. Ainda no clima dos Beatles, e porque ninguém merece uma música triste num funeral.
Day 25 - A song that makes you laugh: Yourbiggestfan - Nevershoutnever!, principalmente se eu puder canta-la com a Ila
Day 26 - A song that you can play on an instrument: A Nona de Beethoven, como toda má aprendiz de teclado.
Day 27 - A song that you wish you could play: Hysteria - Muse, na bateria . Ou Toxicity - System Of A Down
Day 28 - A song that makes you feel guilty: Acho que não tenho uma resposta pra essa..
Day 29 - A song from your childhood: Irene - Caetano Veloso. Além de me lembrar um filme que eu gostava muito, meu pai sempre botava pra tocar e o violão da introdução me faz sorrir.
Day 30 - Your favorite song at this time last year: Stop This Song - Paramore. Fui ver meus posts de abril do ano passado e a resposta estava no primeiro deles.

quarta-feira, 31 de março de 2010

In your brown eyes

Pálida como as velhas folhas do caderno que me encarava, admiti para mim mesma o quanto gosto de te ver sorrir. Revirei o caderno como pude, buscando algum mínimo resquício seu, e acabei encontrando um par de rabiscos nostálgicos de mim pra ti, mesmo que você nunca os tenha visto. E sorrindo um sorriso melancólico, abracei o caderno alaranjado quase como se ele pudesse entrar em mim - as células dele entre as minhas, alternadas - e aspirei seu cheiro forte, mentalizando a falta que você fez.
A chuva chovia em grossas gotas, tamborilando na calçada e acompanhando as lágrimas reprimidas que venceram as barreiras dos meus olhos castanhos, buscando desesperadamente pelos seus. Seus olhos não voltariam a se perder nos meus, mas findou sendo melhor assim para todos nós . Talvez fosse apenas complicado demais, eu e você. Mas de uma coisa eu tenho certeza: esse sorriso seu, o que me desarma, banhado em sua essência, foi inicialmente um sorriso meu, que você roubou quando partiu.

Atemporal e fora de contexto. Inevitável. Brown Eyes.

Nota da autora: Sem querer causar a discórdia nem nada, mas esse não tem destinatário, musa ou o escambau.


Day 20 - A song that you listen to when you’re angry: Não tenho certeza, há tempos não fico com raiva, mas algo parecido com The Flood - Escape the Fate
Day 21 - A song that you listen to when you’re happy: Kiss & Tell - Selena Gomez, ou algo tão purpurinado quanto (R)
Day 22 - A song that you listen to when you’re sad: Já notei que começo a cantarolar I Miss You - Avril Lavigne.

domingo, 28 de março de 2010

Os sentidos se aguçavam à meia-luz ambiente, cobrindo o indivíduo de texturas e cheiros curiosos que valiam a pena ser analisados com uma atenção maior. Enquanto a noção de tempo e espaço se perdiam através da janela da sala, o frio entrava, ziguezagueando por entre os móveis, sem aparentes estragos por fora, mas congelando por dentro.
'm hungry, 'm dirty, 'm losing my mind & everything is fine.

Day 12 - A song from a band you hate: Hello Fascination - Breathe Carolina. Odeio o estilo, essa é a única que salva.
Day 13 - A song that is a guilty pleasure: Play My Music - Jonas Brothers. Sem comentários.
Day 14 - A song that no one would expect you to love: Infinity - Guru Josh Project. Haha
Day 15 - A song that describes you: No geral: Masterpiece Theater III - Marianas Trench. Não por nada específico..acho que é o conjunto. Neste momento: Mother Mother
Day 16 - A song that you used to love but now hate: Se puder ser o contrário, Lucky - Colbie Caillat ft. Jason Mraz
Day 17 - A song that you hear often on the radio: Tik Tok - Ke$ha. E canto toda vez..
Day 18 - A song that you wish you heard on the radio: The Church of Hot Addiction - Cobra Starship. Me faria feliz.
Day 19 - A song from your favorite album: Stockholm Syndrome - Blink-182. Da minha coleção de Cds, pelo menos, o cd rosa do Blink é meu favorito.

segunda-feira, 22 de março de 2010

Everything's fine

Eis meu post. Seja da Tracy Bonham ou das The Veronicas. Worth listening.

Mother mother
How's the family
I'm just calling to say hello
How's the weather
How's my father
Am I lonely heavens know
Mother mother
Are you listening
Just a phone call to ease your mind
Life is perfect
Never better
Distance making the heart grow blind

When you sent me off to see the world
Were you scared that I might get hurt
Would I try a little tobacco
Would I keep on hiking up my skirt

I'm hungry
I'm dirty
I'm losing my mind
Everything's fine

I'm freezing
I'm starving
I'm bleeding to death
Everything's fine

Yeah, I'm working
Making money
I'm just starting to build a name
I can feel it
Around the corner
I could make it any day

Mother mother
Can you hear me
Sure I'm sober, sure I'm sane
Life is perfect
Never better
Still your daughter still the same

If I tell you what you wanna hear
Will it help you to sleep well at night
Are you sure that I'm your perfect dear
Now just cuddle up and sleep tight

I'm hungry
I'm dirty
I'm losing my mind
Everything's fine

I'm freezing
I'm starving
I'm bleeding to death
Everything's fine

I miss you
I love you


Day 11 - A song from your favorite band: All We Know - Paramore .Porque o primeiro cd foi belo ♥ Bem como o segundo e o terceiro..

domingo, 21 de março de 2010

Tirando o atraso

Once upon a time, there was an ordinary girl called Ann, she used to dream about the charming prince, rock stars and happy endings. One day, walking around, she saw an ordinary boy laying under the tallest tree of the park. The ordinary boy was humming the sweetest song an Ann -almost immediately - falled for him. He wasn’t a prince or a rock star, he was just an ordinary boy, and that was enough for her, ‘cause for her he was something else, something deeper and magical. She asked his name when he finished humming, it was Jack. Jack saw something else through Ann’s eyes, something beautiful, and gave her a flower. ‘not as beautiful as you..’ he stuttered. She took the flower and smiled the sweetest smile as he blushed.

Inside your eyes I found everything that I ever dreamed about. Just like that, out of the blue. You can't chase love, it happens.

Day 05 - A song that reminds you of someone: Rule The World - Take That, por pior que seja, será sempre a nossa música,melhor.

Day 06 - A song that reminds of you of somewhere: This Love - The Veronicas, Natal, andar de carro, no worries.

Day 07 - A song that reminds you of a certain event: Deixa o Verão - Los Hermanos. SiNUS,né?

Day 08 - A song that you know all the words to: Misery Business - Paramore, sei tantas músicas de cor, mas aprender essa foi especial.

Day 09 - A song that you can dance to: Bad Romance - Lady Gaga e Telephone, da mesma. Pense numa pessoa pra quem eu pago um pau..

Day 10 - A song that makes you fall asleep: Make-Up Smeared Eyes - Automatic Loveletter. Qualquer uma,really, já que eu durmo com o iPod ligado, mas tenho um carinho especial por essa. (R)

segunda-feira, 15 de março de 2010

Balde d'água fria

Day 04 - A song that makes you sad. So Beautiful - Pete Murray

Passando pelo portão colheu um girassol no jardim e se deixou cair da beirada, caiu, caiu, passando por pássaros, nuvens, e escorregando pelos raios de sol, ao som do ukulele. No mais irracional dos momentos, onde as palavras se desmontam ao sair da boca, onde os pensamentos evaporam pelas orelhas, queimando, onde a verdade escapa pelas glândulas sudoríparas da palma de suas mãos e onde tudo o que você aprendeu aparenta ser quadradamente o exato contrário.

domingo, 14 de março de 2010

Make Up Smeared Eyes


Se voce diz vai, não vou. Se você diz seja, não sou.
Mas se você disser vamos, eu fecho os olhos e te dou a mão.
Se me disser somos, simplesmente somos e não há discussão.


Day 03 - A song that makes you happy: Accidentally In Love - Counting Crows
O clipe me faz feliz também (:

quinta-feira, 11 de março de 2010

C'était salement romantique

Gosto de quando meu coração está assim, cheio até a borda de melodias - principalmente de piano - daquelas suaves, porém não lentas demais. Gosto mais ainda quando toda essa musicalidade cardíaca não tem relação com nada em especial. E vale ressaltar ainda, que gosto de fechar os olhos, respirar fundo e o ouvir acompanhar o piano, quase que como um metrônomo, bombeando o sangue que me preenche e me dando a certeza de que estou viva. Quase dá pra senti-lo correr pelas veias, de ponta à ponta.


Pra ser sincera, formiga de leve na ponta dos dedos e nas bochechas.


Day 02 - Your least favorite song: least favorite? Sério? As a blonde - Selena Gomez.

quarta-feira, 10 de março de 2010

DAY 01

Vagando pela internet ao invés de estudar geografia,encontrei uma daquelas correntes bobinhas e resolvi aderir. Hoje: day1 - minha música favorita (no momento) Build me up buttercup - Julia Nunes. :)

Day 01 - Your favorite song
Day 02 - Your least favorite song
Day 03 - A song that makes you happy
Day 04 - A song that makes you sad
Day 05 - A song that reminds you of someone
Day 06 - A song that reminds of you of somewhere
Day 07 - A song that reminds you of a certain event
Day 08 - A song that you know all the words to
Day 09 - A song that you can dance to
Day 10 - A song that makes you fall asleep
Day 11 - A song from your favorite band
Day 12 - A song from a band you hate
Day 13 - A song that is a guilty pleasure
Day 14 - A song that no one would expect you to love
Day 15 - A song that describes you
Day 16 - A song that you used to love but now hate
Day 17 - A song that you hear often on the radio
Day 18 - A song that you wish you heard on the radio
Day 19 - A song from your favorite album
Day 20 - A song that you listen to when you’re angry
Day 21 - A song that you listen to when you’re happy
Day 22 - A song that you listen to when you’re sad
Day 23 - A song that you want to play at your wedding
Day 24 - A song that you want to play at your funeral
Day 25 - A song that makes you laugh
Day 26 - A song that you can play on an instrument
Day 27 - A song that you wish you could play
Day 28 - A song that makes you feel guilty
Day 29 - A song from your childhood
Day 30 - Your favorite song at this time last year

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Raiva. Correndo no sangue com a adrenalina, raiva tanta que faz as pernas tremerem, raiva essa que te faz querer agir. Meus pés querem destroçar o painel do carro, minha garganta quer sangrar gritando, mas eu não obedeço os impulsos, eu respiro, mordo minhas próprias bochechas com uma fúria discreta, aperto os nós dos dedos e espero. Espero. O carro pára, os faróis se apagam, espero pacientemente junto à porta pela chave que não está sob o meu domínio - cogito dormir no quintal, perto do carro, mas a ideia com a mesma rapidez que vem, se vai - a porta se abre e eu entro com urgência, subo e fecho a outra porta atrás de mim, a do quarto, com delicadeza. Desisto, a abro e bato com força, num movimento rápido. Em minha fortaleza, os gritos e lágrimas e palavrões e soluços vem todos de uma vez, de dentro pra fora, queimando de um jeito novo, diferente do jeito com o qual eu me acostumei. Desatravesso a porta e grito no corredor, volto, vou, volto. E me tranco de vez para deixar o tempo passar, franzindo o cenho, devagar e sempre. Raiva.
Ela continua agindo, mesmo depois que os impulsos cessam.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Existência

Pessoas se juntam num lugar que chamam de deles; com outras pessoas que chamam de família; decidem compartilhar as coisas (salvo exceções, claro); optam por uma divisão hierárquica dando maior importância à idade e não realmente ao que tem a dizer; fragmentam seus dias em séries de momentos não-prazerosos, segundo eles mesmos, em nome uns dos outros; quando chega a noite e todos se reúnem no lugar comum, se separam por estarem cansados demais para conviver, pela série de coisas desgastantes que fizeram durante o dia (sempre por amor, lógico). Não ter voz, contato ou tempo num sistema desses, tão falho, é normal. O que não se faz pelo amor?
Que bom que é normal, se não fosse acho que eu deveria me preocupar. Ufa.

domingo, 24 de janeiro de 2010

Masterpiece Theater III

Não pude me expressar por estar com a boca cheia de estrelas, os segredos inflavam e subiam como balões enquanto eu assistia. Ele costumava ser meu melhor amigo. Tocou meu braço e eu voltei minha atenção para seus olhos, eu sentiria uma falta verdadeira daqueles olhos. Ele me sorriu um sorriso tristonho e eu sabia o que ele queria dizer, e ele sabia o que eu responderia, então não dissemos nada.Vencendo milhões de barreiras internas e externas, o abracei. Que se fodesse o resto. Ele afundou o rosto no meu ombro.
Please just follow me.
What you want, what you need..
Please just follow me.
I'm right beside you..
I'm not sick of you yet.
Capturei rapidamente um par de lágrimas malandras que escorreram dos meus olhos, ele notou, riu, também chorava. Peguei a mochila no chão para ajuda-lo, fomos até o carro e as nuvens todas nos saudaram, orgulhosas.
I don't know how it got this way.

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

A riot in me

Isso cresce gradativamente à cada dia passante, olhando mais de perto é como se um feixe de luz, que no ângulo certo e com o objeto necessário, pode se perceber o zibilhão de cores escondidas. Frágil como um elefante de patins, lindo como qualquer coisa colorida o bastante para que seja indescritível, complicado como o infinito - que por ser simples demais, nos confunde -, necessário como o calor, inusitado como um novo dia. Talvez eu precise disso mais do que eu imagine.


4/11/09