terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Volto no fim de Janeiro

Não sei vocês, mas eu acho estranho saber que em poucas horas estarei em um lugar totalmente diferente, com pessoas totalmente diferentes e fazendo coisas totalmente diferentes das que eu faço aqui. E estou animada. A duração de toda essa 'diferença' me assusta um pouco porque eu tenho uma certa necessidade do meu 'normal' e do meu 'todo dia'. Mas ainda estou animada.
Outra coisa estranha é olhar no teu calendário e pensar, cara, depois de amanhã começa um novo ano, ou até mesmo ah, daqui a pouco começa um novo Big Brother. Estranho é sair na rua, cumprimentar as pessoas e dizer feliz ano novo. Parece algo tão grande, passou tão rápido, eu lembro de me queixar porque eu teria que escrever um ano diferente nas folhas do caderno, me lembro de achar que no ano 2ooo os carros voariam e tudo seria meio Jetsons, me lembro de gostar de ver Papai Noel em shopping, lembro de querer fugir de casa pra poder dormir em casa de amiga, lembro de ter me sentido gente-grande depois do meu primeiro beijo, lembro de esperar o ano todo pra o parque de diversões chegar naquela cidadezinha pra qual eu sempre viajo, lembro da minha mãe gritando pela casa que eu tinha virado mocinha, lembro de querer um adidas star porque todas as minhas amigas tinham um, lembro de quando minha mãe cortou minha franja e eu tive que passar alguns meses usando arco até meu cabelo crescer outra vez, lembro de ter beijado meu primeiro namorado em cima de uma árvore, lembro de ter achado demais tomar um copo de sex on the beach, lembro de ter aprendido que Força resultante é igual a massa de um corpo vezes a sua aceleração, lembro de ter gostado de peguete de amiga minha, lembro de promessas feitas pra dar certeza e de ter tomado Sorvete da amizade. E isso é tudo tempo. Pro ano que vem eu espero continuar crescendo, com saúde e com meus amigos comigo. É a minha fórmula para um bom ano. Com estes elementos básicos eu consigo todas as outras coisas que eu possa precisar, claro, um pouco de açúcar e tempero também ajudam, mas não fazem tanta falta.

Férias cheias de elemento X pra vocês. E de sol. Vou sentir saudade.


segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Justifico meus atos para mim mesma com afirmações inventadas. E me sinto melhor assim.

domingo, 28 de dezembro de 2008

Estávamos caminhando na praia, mãos dadas, eu com o anel que você me deu, você com o que eu te dei, você abaixou, jogou um punhado de areia na minha blusa e correu sorrindo, eu corri também e me atirei em você, fomos ao chão, eu peguei uma mão de areia e a esfreguei no seu cabelo, você lutou e virou o jogo, fomos pra água, você pegou um jacaré meio torto tentando se exibir, eu disse pra você tentar outra vez, você foi se afastando, afastando, eu gritava, você não me ouvia, nadava pra longe, eu te chamava, você era apenas um ponto no horizonte, eu chorava, veio uma onda e me derrubou.
Acordei daquele sonho praiano, mais uma vez, procurando por você ao meu lado.
E me decepcionando porque, mais uma vez, você não estava lá.

quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

Feliz natal


That if the moon had to runaway
And all the stars didn't wanna play
Don't waste the sun on a rainy day
The wind will soon blow it all away

Shine On - JET

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Você comigo

Gosto daquela sensação bem brega de que o cantor fulaninho escreveu aquela música especialmente pra'gente enquanto milhões de outros casais acham o mesmo. Já notei que quando estou com você parece que tudo é nosso, o sol, as flores, os prédios, o mundo, tudo meticulosamente criado para nos agradar.
Eu não sinto a necessidade de ir ao restaurante mais caro da cidade quando eu posso comer um cachorro-quente sentada num muro de uma praça qualquer com você, eu não preciso de muito, só de você comigo e quem sabe de uma ou duas flores frutos do impulso de presentear alguém especial, ou talvez eu também precise de um Dvd legal e um pote bem grande de pipoca. Mas fora tudo o que eu preciso, eu só preciso de você.

sábado, 20 de dezembro de 2008

Histeria

- 11:11!
- Ái, amiga, tem alguém pensando em você!
- Será mesmo? Quem?
- Faz a do alfabeto até 11:12!
- Ái, tá bom! ABCDEFGLMNOPQRS...T...U....V..V..xiVÊ!
- Nem acredito que deu V!
- Nem eeu, nossa, será que ele tá pensando em mim mesmo?!
- Claro que tá, essas coisa nunca mentem!
- Ai, acho que eu devia fazer bem-me-quer-mal-me-quer agora. Vai, me arranja uma flor.

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

E foi assim que aconteceu


Era a festa de casamento de alguém da família dela, eu cheguei disfarçada, munida do meu bigode, irreconhecível, entrei na festa. Eu a vi pisar no vestido do padre e tirar a peruca da noiva enquanto ninguém mais olhava, ou será que foi o contrário? Bem, não importa muito, sei que a tal peruca foi parar dentro do bolo, logo depois da tal garota meter o dedo na cobertura e de eu induzir o barman à se enfiar no tal do mesmo bolo. Depois da confusão e de trocar meus sapatos com o da garota, mas que na verdade eram os sapatos da mãe da noiva, fui dançar. A garota dançava com o noivo enquanto a noiva procurava sua peruca, vi o noivo puxar a garota pela mão e eles se afastaram, antes de alcançarem o canto do salão, cuspi, profissionalmente, meu chiclete no cabelo dela e coloquei meu bigode novamente, para evitar qualquer problema. O barman veio me perguntar se eu tinha visto uma garota parecidíssima comigo, mas sem bigode, e eu disse que ela esperava por ele na suite do casal, ele pareceu contente e desapareceu depois de me contar que o noivo me procurava, guardei meu bigode na bolsa e fui até o noivo, ele ficou se insinuando para mim e para a garota, jogamos nossas respectivas cocas-de-puta nele e fomos arranjar mais uns copos. Conversamos a noite toda, ela me contou que pegou o segurança, falei do barman, ela disse que a peruca, na verdade, era do padre e que a noiva não estava procurando porr..caria nenhuma, e por aí foi. Me ofereci para deixa-la em casa, ela aceitou, chutamos alguns vasos ao sair, usando nossos bigodes, claro [eu sempre carrego um extra] e aposto que foi a melhor festa da vida daquela gente. Ou, não, tanto faz, não ligo. Você liga? Acho que depois daquilo você deveria me ligar, para invadirmos mais alguns pares de festas.

Quando todas as suas manias, gostos e pequenas vontades resolvem atacar e sua única opção é posta-las

Boa noite, meu nome é A., vamos falar de mim.
Gosto de ver as coisas com um olho só, gosto dos sorrisos que tiram moral, gosto de girar brincos, gosto de abraços apertados, gosto de fazer pedidos para estrelas-cadentes, gosto de mandar depoimentos por mandar, gosto de cantar e achar que as músicas foram feitas pra mim e para situações específicas da minha vida, gosto de sorriso-torto depois de beijo, gosto de cabelo de argentino, gosto de ver as baquetas enquanto alguém toca bateria, de falar em meio de filme, de rolar a página da internet, de deitar na bancada pra falar ao telefone, de morder lábio e de esconder a barriga.
Não gosto da palavra 'trocar', não gosto de palavras sem hífen, não gosto da versão hold me de Get Back, não gosto dos Irmãos Jonas, não gosto de barulho de garfo no fundo do prato ou do de dobrar papel com as unhas, não gosto de não ter recados novos no orkut, de que me vejam escovando os dentes, de que me levantem, de usar vestido nem de comer frango.
Gosto do lenço-de-piquenique, não gosto de fotos-pra-perfil, gosto de comer pizza com a mão, não gosto de amendoim, gosto de jogar ketchup em quase tudo, não gosto de cigarros, gosto de andar descalça, não gosto de declarações omitidas e gosto de você;


Own..

sábado, 13 de dezembro de 2008

New Mexico?

Joguei um par de mochilas no banco traseiro do meu recém-adquirido Corsa semi-novo e abri a porta da garagem, eram 2a.m., eu só estava um pouco atrasada, mas se mudarmos o referencial eu estava até saindo cedo. Cheguei na porta da casa dele em poucos minutos, apaguei os faróis e liguei pra ele, à cobrar, mas não importava, ele não ia atender mesmo. Aquele rosto alegre logo apareceu na porta da casa, passou pelo portão com cuidado e se largou no meu banco do passageiro.
- Você tá atrasada. - Ele brincou.
- Você sabe o porquê.
- Claro, garotas demoram pra se arrumar, já sei.
- Bom garoto. - Sorri pra ele e lhe dei um beijo.
Tirei o carro dali, o motor tão silencioso quanto o de uma picape velha, mas ninguém pareceu notar. Em pouco tempo estávamos rindo na estrada, uma daquelas bê-erres da vida, não importava qual, nem nós sabíamos direito. O CD que ele havia gravado especialmente para a ocasião fazia o carro tremer, e nossas risadas iluminavam a pista, claro, os faróis ajudavam um pouco, mas fomos basicamente nós. Nossa primeira parada foi num daqueles hotéis beira-de-esquina, foi igual aos filmes, fingimos que tínhamos acabado de nos casar e estávamos viajando, conseguimos o quarto com a maior mordomia possível [água quente e um frigobar] e viramos a noite comendo os chocolates e as barrinhas de cereal que deveriam nos sustentar por alguns dias.
- Puta que pariu! - Ele gritou.
- O que? Tem alguma coisa errada com o chocolate?
- Não. Minhas baquetas! Eu esqueci as baquetas!
Revirei minha mochila e saquei um par de baquetas transparentes.
- Quando você pegou isso?!
- Eu achei mesmo que você fosse esquecer, peguei da última vez que fui à sua casa.
- Childminder! - Ele forjou uma cara de mau e eu joguei as baquetas nele. Ele começou a batucar no colchão da cama.
- Acho que a gente devia dormir, como eu vou dirigir amanhã?
- Eu dirijo.
- Você não toca no meu carro até tirar a carteira, engraçadinho.
- Eu dirijo melhor que você.
- Tanto faz, eu tenho carteira.
Pulamos na cama e batemos nas coisas por muito tempo antes de acabarmos capotando de cansaço. Na manhã seguinte, quando estávamos deixando o hotel, vi o que parecia ser o faxineiro, fazendo um sinal de aprovação para nós. Acho que nosso barulho todo o fez pensar coisas. Rimos todo o caminho até nossa próxima parada, como era de se esperar. Foi assim por um bom tempo, pelo menos até o dinheiro acabar e a gente ter que começar tudo outra vez.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Tudo sobre quinta-feira

Tirei meus sapatos tentando não fazer muito barulho, sem saber que você estava acordado. Passei na porta e estava aquela bagunça no seu quarto, um colocava suas tralhas pra carregar, a outra arrumava o colchão, e aí eles sairam, e eu me vi sozinha com você no meio do quarto, sem saber direito o que fazer. Me ajoelhei junto ao pé da cama e apoiei o queixo no seu braço, pareceu algo legal de se fazer, vi você fechar os olhos e respirar fundo. Era engraçado ficar encarando a cicatriz na sua barriga, ela ia do seu umbigo ao iníco da sua bermuda, me lembrava uma cicatriz-de-mãe, mas na direção contrária, e não me dava agonia. Ficamos um bom tempo assim, ou pelo menos me pareceu, você curtindo sua música e eu te observando. Você ainda estava com os olhos fechados quando eu me levantei e beijei sua bochecha, trocamos um 'boa noite' meio murmurado e eu subi as escadas.

Esse seu encanto todo, eu sei como é.

Subi as escadas logo atrás da minha mãe, ela se virou para olhar uma revista e o cara do balcão me sussurou um 'me liga' pelas costas dela, ou pelo menos foi o que eu entendi. Sorri, mandei um 'tchau' divertido e fui saindo, minha mãe me perguntou sobre o guarda-chuva e eu disse que ainda deveria estar lá embaixo. Ela desceu correndo e eu voltei para o balcão, trocamos um sorriso e ele começou a rabiscar algo em um guardanapo, me entregou dizendo 'é hotmail, tá?' e eu respondi que o adcionaria, estendi minha mão e ele a segurou firme, chacoalhei o conjunto algumas vezes, mas ele não a soltou, se estendeu sobre o balcão e me deu um beijo na bochecha. Minha mãe apareceu novamente na escada comemorando com um 'achei!', fomos até a porta e eu olhei pra ele mais uma vez, acho que pisquei involuntariamente com o último sorriso que deixei naquela loja de revistas.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

La piazza

- E o que você acha daquela ali? - Perguntou o loiro apontando para uma garota que passava por entre as colunas de pedra.
- Já peguei. - Se gabou o moreno.
- Sério, cara? E aquela?
- Podia ser um pouco mais alta. - O moreno desdenhou.
- Tudo bem, mas eu não me incomodava com uma dessas lá em casa.
- E aquela? - O loiro voltou a falar e o olhar dos dois parou na ruivinha para a qual ele apontava.
- Aquela.. - o moreno suspirou - não sei, cara, aquela tem um jeito todo estranho, ela me faz sentir.. diferente. É como se.. se tudo começasse a borbulhar por dentro e me empurrasse pra ela. Como se eu precisasse estar perto dela, só perto, só pra saber como é. Só pra não esquecer. - O moreno perdeu a garota de vista atrás de uma porta e voltou a encarar o amigo, que o observava com um sorriso sacana.
- Qual é, velho? Ela te pegou, é? Tá afinzinho dela? - O loiro provocou.
- Larga de ser otário, eu não sei o que é isso. - O moreno retrucou, socando o braço do amigo.
- Relaxa, relaxa. Eu acredito. Vamolá, e aquela ali?
O loiro e o moreno desapareceram com suas motos, o loiro tentando assustar um grupo de garotas que caminhavam despreocupadas, acelerando e assobiando, e o moreno murmurando qualquer coisa ao abaixar o visor do capacete, enquanto se convencia de que era homem demais e galinha demais para essa besteira toda de sentimentos.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Sabor de fruta mordida

Eu estava na metade do caminho da padaria e alguém me cutucou.
- Oi. - O garoto disse.
- Oi.
- Er.. eu.. acho que você é o amor da minha vida. - Ele disse, olhando no fundo dos meus olhos.
- Por que diz isso? - Perguntei examinando os dele.
- Não sei, algo me disse para chegar e te contar.
- Obrigada. - Sorri.
- Disponha. - Ele sorriu de volta. - Bem.. acho que é isso, tenho que ir agora.
- Tchau, bom te conhecer.
- Também achei.
Ele me beijou a bochecha e desapareceu atrás de umas casas. Segui meu trajeto e comprei meu pão.

O domingo finalmente chegou, dia de andar de bicicleta. Estava passeando pelas ruas quando me deparei com eles, o garoto do outro dia e uma garota que eu nunca havia visto. Eles caminhavam, seus dedos entrelaçados e um sorriso no rosto dela. De repente tudo pareceu tão óbvio, não sei como não notei antes que aquele garoto era o amor da minha vida. Estava escrito na testa dele, e talvez na minha também. Pedalei mais rápido e passei do casal, lancei um último olhar para ele, vi quando ele, discretamente, pegou meu olhar e guardou no bolso. Sorri pra ele e ele pra mim, ele desapareceu atrás de novas casas e eu atrás de toda a minha estupidez.
Não foi a última vez que nos vimos, mas com certeza foi a que chegamos mais perto de um 'felizes para sempre'.

sábado, 6 de dezembro de 2008

Esvaziar Lixeira

Foi bem assim, cheguei em casa, dei alguns pulinhos e gritinhos e fui checar os e-mails. Nada novo. Normal. Abri 'Meus Documentos' e uma pasta no canto da tela começou a me encarar, 'Escola'. Abri e, sem dó ou piedade, excluí todo o seu conteúdo preparando-a para o novo ano. Tem certeza de que deseja enviar 'pas_conteúdo' para.. Absoluta, cara! ..enviar 'história_gabarito' para.. Enviado! ..enviar 'lista_XII'.. Lixo! E me senti bem, muito bem. Dor de cabeça? Agora só em Fevereiro!

Tem certeza que deseja enviar 'amor.jpg' para a lixeira?
Sim Não

E agora minha cabeça está vazia, e eu não me incomodo. Parou de latejar tem um tempo, foi tudo meio como uma descarga de banheiro de avião, aquele turbilhão louco e depois.. vazio. Não estou tentando comparar minha cabeça com um vaso por ser um vaso, mas encare como quiser.
Anestesia.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

And tonight I know that you know that I know that is not about her.

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Meias Flambadas

Antes de tudo, uma música. [Ignorem o backvocal tosco no meio da música]
Eu poderia escrever sobre todas as pessoas que fizeram alguma diferença na minha vida este ano, mas pessoas vem e vão e sentimentos mudam de intensidade. Eu poderia escrever sobre tudo o que fiz esse ano, mas eu não saberia por onde começar, seria uma confusão. Eu poderia escrever sobre tudo o que senti esse ano, mas lembrei que já fiz isso, e é o que estamos comemorando hoje, o primeiro ano de vida da eternização dos meus sentimentos. O Meias. Só eu sei tudo o que está por trás dessas suas páginas, tantos implícitos, tantas declarações, tantos desabafos, tanto de mim em você que até arrepia. E vocês, gente? Quantas vezes seus comentários não me ajudaram? Quantas vezes eles não me fizeram pensar? Eu cresci com vocês, sem dúvida, e ainda bem que não foi diferente.
Os que me orgulho por motivos variados: 26 de Janeiro, 25 de Março, 16 de Maio, 26 de Julho, 18 se Setembro, 4 de Outubro
Bonitinhos de se ver: 20 de Fevereiro, 14 a 20 de Março, 29 de Maio, 21 de Outubro, 23 de Novembro
Os que me envergonham: 12 de Fevereiro, 22 de Agosto, 10 de Outubro, 31 de Outubro
Um ano. Só um ano. Meldels, um ano! Deixo aberto o momento de reflexão sobre o seu ano, aproveite.

Com quem se-rá.. com quem se-rá..?

domingo, 30 de novembro de 2008

Porque nada mais importa quando você sorri

Conheço um ou dois pares de pessoas que se satisfazem fingindo sorrisos, acho estranho porque os únicos que deveriam se satisfazer com sorrisos falsos [mas bem feitos] são os que os recebem, não os que se escondem por trás deles. Mas cada doido com suas manias, certo? Eu, particularmente, gosto do sorriso de reencontro, do sorriso de tomar sorvete, do sorriso de quando o nariz formiga, do sorriso de cumprimentar o sol, do sorriso que vem com o cheiro do almoço, do sorriso depois de beijo, do sorriso em que os olhos brilham, do sorriso bobo, do sorriso de quando cai a ficha, do sorriso especial entre duas pessoas, do sorriso roubado, do sorriso cúmplice, do sorriso maroto, do sorriso enigmático, do sorriso brincalhão, do sorriso que fala e do sorriso que cresce e vira risada no final.


Today's fortune: Smile. That's all.

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Enquanto você precisar de mim eu estarei aqui, te apoiando e roubando seu tempo.
Espero que você precise de mim por muito tempo, eu preciso de você.




Desabafos:
Gosto da Selena Gomez [nova estrelinha da Disney]
Tenho músicas da Demi Lovato no iPod [é, a estrela de Camp Rock, o filme com os -blurgh- Irmãos Jonas.]
Gosto dos videos do Eminem, principalmente o Just Lose It porque a Alyson Stoner dança nele e eu pago um pau pra essa garota.
Eu deveria estar estudando.
Nada disso passa de falta do que fazer.


domingo, 23 de novembro de 2008

Epifania

Acordei desse sonho muito louco com uma melodia simpática na cabeça, a melodia me seguiu o dia todo, uma melodia que eu nunca tinha ouvido, eu acabei cativada por ela. Nessa melodia brotaram algumas frases de efeito, aquelas no estilo melosas e profundas que se encaixavam direitinho nas partes mais animadas. Eu, a melodia e meus pares de frases soltas caminhamos por toda a cidade naquele dia, por pontes, estradas, campos e parques, você estava no parque, debaixo de um ipê, cantarolava qualquer coisa e sorriu o universo ao me ver - aí minhas frases soltas e açucaradas fizeram sentido, elas se juntaram a milhões de novas frases que voavam em volta do meu corpo, ao meu sorriso e ao batimento descordenado do meu coração e lá estava ela, era uma música. Linda e independente pairando sobre minha cabeça, ingênua e mágica esperando para ser eternizada.
Sorri de volta, sorri inteira, minha música gritando e girando para ser ouvida por você, eu sabia que ela só tocava pra mim, mas também sabia que não era por opção. Você se aproximou, sentou ao meu lado e a música pareceu escapar de mim, como se num balão de fala visível apenas para nós dois. E você pareceu ouvi-la também, me sorriu tudo aquilo outra vez e ela ficou sendo a nossa música, nossa árvore, nosso parque, nosso segredo. Você meu eu e eu seu você.


E pela primeira vez.. achei a imagem perfeita

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Entrei no taxi assim que o telefone começou a tocar, cuspi o endereço enquanto procurava o celular na mochila, atendo ou não atendo? Ah, atendo vai.
- Alô?
- Oi.
- Quem é? - A voz me perguntou.
- Hm.. não é o Pedro. Ele esqueceu o celular dele comigo.
- Ah tá. Oi, é o Arthur.
- Oi, Arthur, é a Nana.
- Nana? Ah, eu conheço você!
- Sério?
- Não, acho que não.
Eu ri.
- Também acho que não te conheço.. quer dizer.. só se você for um Arthur de cabelo cacheado, aí eu te encontrei quando eu tava indo pra Cultura com o Coxa.
- Arthur de cabelo cacheado.. ah, você que tava com ele naquele dia, né? Eu lembro.
- É, era eu.
- Era eu também. Oi, seu pai tem boi?
Ele era engraçado.
- Não, tem vaca, seu babaca.
- Achei que tinha, sua galinha.
- Não lembro qual vem depois.
- Algo com 'seu veado'.
- É, deve ser.
- Ei.. - ele chamou - faz assim.. por que você não vai pra casa do Pedro também? Eu tou indo pra lá. É bom que ele esteja lá.
- Poxa, agora não dá, tou indo pra minha casa.
- Por quê?
- Porque eu tenho que fazer isso.
- E onde você mora?
- Longe do Pedro.
- Ah bom. Então tá.
- Você ligou à cobrar, né? Acho que a gente tá gastando os créditos do Pedro.
- É, né? Então tá.
- Beijo, Arthur.
- Beijo.
Fechei o celular e o larguei de volta no bolso da mochila, foi a conversa por telefone mais estranha que eu já tive, e eu estava precisando dela. Obrigada, Arthur, por me ter feito rir.

terça-feira, 18 de novembro de 2008

Meu par de raios de sol

Há muito tempo conheci duas pessoas, pessoas que sabedeuscomo me faziam sorrir mais com o passar de cada dia, sendo pessoas comuns. O tempo passava e eu pensando que não poderia ficar mais feliz, eu sempre errada, elas sempre me surpreendiam. O tempo passava e eu sorrindo só por elas estarem lá, e o tempo passava. E eu sempre errada.
Em um nem-tão-belo-dia, não sei porque, mas elas simplesmente sumiram. Minhas pessoas favoritas. E sem elas eu caí. Acho que queriam me deixar acertar uma vez na vida, ter a certeza de que o amanhã não poderia ser melhor que o ontem. Achei cruel, eu não me importava em estar errada, eu adorava estar errada, eu não podia seguir em frente estando certa.
Agora tenho que viver com a certeza de que elas nunca vão voltar. E com minha a sina de estar certa.

You Are My Sunshine, my only sunshine.
You make me happy when skies are grey.
You'll never know, dear, how much I love you.
Please don't take my sunshine away

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Colagem

Escrever direto no blog é ruim, a gente fica com 'as pessoas vão ler' na cabeça. Bom mesmo é escrever no caderno ou até no Word. Acho que esse é meu grande problema.


E eu aqui te esperando voltar dessa grande viagem de última hora na qual você se meteu, quando as coisas são assim impulsivas a gente sente tudo mais forte. Você não pensou em mais ninguém ao planejar isso tudo, não é? Pois é, sinto a tua falta. Achei que você deveria saber, eu teria dito antes de você ir se você tivesse dado um aviso prévio.

Os dias estão passando meio tortos, incompletos, mas estão passando, você ainda pensa na’gente, não pensa? Ah, eu vi uma coisa no sábado e superlembrei de você, foi demais. A gente pode sair pra brincar na chuva quando você voltar, não pode? Porque.. você volta, não volta? Não volta?

O que você tem feito? Aposto que ainda tem cantado nossas músicas de vez em quando. Eu tenho. De vez em quando. De vez em quando me pego realizando uma de suas manias, é no mínimo.. engraçado.

Estou ficando sem papel, então.. tenho que ir.

Estou morrendo de saudade, você sabe. Aparece, ta? Eu te amo.

sábado, 15 de novembro de 2008

We've got no worries in the world





Porque agora parece tão mais que 'ficar junto'


"A friend with whom you had an affair"
Agora.

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Do sol do meu coração

E antes que você vá preciso dizer que te amo, ou te gosto, ou que estou apaixonada, chame do que quiser, mas saiba que dentro de mim tem alguma coisa forte que me empurra pros teus braços, alguma coisa que remexe e borbulha quando estou contigo. Tem muitas coisas que eu não sei, mas sei que gosto do jeito que teus olhos brilham, sei que sem você a chuva não tem tanta graça e os girassóis não tem tanta cor. Estou aqui hoje cuspindo tudo isso porque faz total sentido na minha cabeça que é isso que eu tenho que fazer, estou cheia até a boca de coragem e de vontade de você, então vem ficar um pouco comigo antes do dia terminar.
Corro porque não temos muito tempo, corro porque tenho que correr, corro porque me faz feliz, corro pra chegar até você, você me faz sentir como se eu estivesse voando, por isso corro, porque é o mais próximo que eu posso chegar dessa sensação enquanto você está longe de mim.
Ela pegou o molho de chaves no bolso da jaqueta e abriu a porta, ainda usava aquele chaveiro estúpido de coraçãozinho, largou a pasta no sofá vermelho, soltou o cabelo e se debruçou na bancada da cozinha enquanto acendia um cigarro. Ela odiava dias como aquele, longos. Seu chefe estava inspirado e resolveu fazer um discurso sobre porque a propaganda em que seu pessoal estava trabalhando deveria estar pronta até sexta-feira sem falta e isso a tirou do sério, sabia do prazo e não precisava que ninguém a ficasse lembrando. Soltou alguns círculos de fumaça em direção a janela e examinou as próprias unhas, terríveis, mas quem tem tempo de fazer as unhas hoje em dia?
Ela apagou o cigarro na pia, pegou uma maçã e voltou para a sala, a base do telefone piscava frenética. Duas novas mensagens. Ela apertou o botão no telefone, chutou os sapatos longe e se deixou cair no sofá.
"Só liguei para te lembrar do prazo. Sexta-feira, Bella.." A voz rouca encheu a sala. A mulher atirou a maçã no telefone, irritada. Silêncio. Uma nova mensagem começou.
"Oi, filha, tem tempo que a gente não se fala. Queria saber se você está precisando de alguma coisa.. eu e seu irmão sentimos sua falta.." A voz era triste e suave ".. saiba que quando quiser voltar pra casa.." a voz falhou "..quando quiser.. você sabe. As portas estarão abertas, eu e seu irmão estaremos aqui te esperando, tá?" A mulher no sofá abraçou os joelhos e chorou com a voz até a mensagem terminar. "Nenhuma.Nova.Mensagem" A secretária-eletrônica anunciou orgulhosa e o silêncio voltou a dominar o cômodo, quebrado de vez em quando pelos suspiros molhados da mulher no sofá.
O telefone tocou, ela rastejou até ele.
- Alô, Bella?
- Hmm.. - A mulher grunhiu de volta.
- Dia foda, heim? O chefe pegou pesado.
- Nem me fale, uma merda.
- Afim de sair?
- Só se não for terminar em ressaca, temos que trabalhar amanhã cedo - Ela pediu, mesmo achando que um pouco de álcool até cairia bem.
- Claro, claro. - Ele respondeu sem prestar muita atenção. - Então estou passando aí.
Ela tomou um banho rápido e saiu, pensando em como seria o dia de amanhã, pensando no tamanho dos objetos que seu chefe merecia enfiar no cu, pensando na noite que teria e pensando no que dizer à dona da voz quando retornasse a ligação.

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

E cadê a criatividade desse mundo?

Acho que não gosto dessa época do ano, é nessa época do ano em que eu começo a perder as pessoas, ou me dou conta de que vou perdê-las em breve. Esse novembro/dezembro é cheio de mudanças e decisões, não é? Sempre. Que tipo de presente-de-natal sinistro é esse?
Sempre por alguma boa razão, mas que pra mim nunca parece ser boa o bastante.


é igual morrer, porque a gente não vai se falar mais. Você sabe disso, né? Podemos até nos falar, mas vai ser de vez em nunca, não todos os dias como agora, em alguma ocasião especial quem sabe, ou quando bater uma saudade muito forte. Mas eu não vou te esquecer, vou te guardar aqui do jeito que você é pra te abraçar forte e te xingar mais tarde.

Volta, sinto tanto sua falta
Nos meus braços eu guardo teus abraços só pra te esperar
Vou te esperar


E o que você escreveu na minha mão já apagou, mas ainda está aqui dentro.

domingo, 9 de novembro de 2008

Pressentimentos

Segunda-feira, uma nova semana. Mal posso esperar.

sábado, 8 de novembro de 2008

Ouvi dizer..

Ele acariciava o rosto dela, seu pescoço e sua nuca, ela girava o anel prateado na mão livre dele.
- Conheci um casal uma vez - ele começou, sussurrando - um cara ruivo, gente fina, e uma mulher linda, morena. Eles eram tipo a gente.
- É? - Ela perguntou sorrindo.
- É.
- E aí?
Ele suspirou.
- Eles se amavam muito, então resolveram morar juntos. Ela virou a artista que queria ser, graças ao apoio de seu belo companheiro, claro, e ele.. ele foi o cara mais feliz do mundo só por estar com ela. Pelo menos foi o que eu ouvi dizer. Ah sim, e ouvi dizer que o sexo era ótimo.
Ela riu.
- Incrível, fantástico! - Ele continuou, rindo com ela.
- E o que mais? - Ela se esticou para beijar o queixo dele.
- Mais? Você precisa de mais que isso?
- Mais que sexo incrível?
- É.
- Claro.
Ele fez cara de ofendido.
- Então eu não basto pra você?
Ela deu um empurrão-carinhoso nele.
- Seu besta, quero saber o que acontece depois. Na história. Com a gen.. com eles. Seus amigos.
- Ah. Bem. Eles moraram juntos um tempo, juntaram uma grana, casaram sem muitas extravagâncias, sabe como é. Fizeram algumas viagens..
Ela deitou no peito dele e fechou os olhos enquanto imaginava tal história e deixava os dedos longos dele se perderem em seus cabelos negros.
- .. e depois de viverem muito la vida loka eles morreram e foram pro céu com todos os anjinhos e aquela veadagem toda. Fim. Juntos pra sempre.
- Ah, você realmente sabe ser romântico quando quer. - Ela zombou ainda deitada no peito dele.
- Sei, ? - Ele riu - Mas gostou da história?
- Nossa vida vai ser assim?
- De onde você tirou que eu estava falando de nós?
- Você acabou de me contar..
- Ah.. bem. Pode ser se você quiser.
- Juntos pra sempre? Por favor. Sem você eu não consigo.
Ele sorriu, os lábios no cabelo dela, na testa dela, nos dela, nela. Eles realmente viveram juntos pra sempre, ou pelo menos foi o que eu ouvi dizer, mas acredito que sim.

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

dia de ser legal de um ano qualquer

Era como uma daquelas cenas de filme em que as melhores-amigas-do-mundo-todo estão com seus respectivos óculos escuros e os lenços no pescoço, os cabelos ficando para trás com a velocidade exagerada do conversível vermelho na estrada ensolarada e abandonada, a música no volume máximo e muito dinheiro para gastar - mas não havia tanto dinheiro, o conversível, tanta velocidade ou toda a produção de um filme hollywoodiano.
O carrinho popular protagonista de nossa história era dirigido por sua dona, ela se sacudia ao volante se controlando para não dançar a música que ela e a amiga haviam coreografado há muito. A outra dançava, trocando alguns gestos, mas a motorista e o carro nem notaram.
Quando não estavam cantando, as amigas tinham discussões construtivas, uma fantasiava com caras musculosos e cheios de sol aparecendo na estrada deserta para as fazer companhia, a outra reclamava por elas estarem indo para onde o vento levar e não para o Novo México, mas concordava sobre os caras ensolarados.
As horas correram com elas, com os hotéis de beira de estrada e com as paradas constantes em bares precários e pequenas cafeterias antes da chegada ao primeiro dos vários destinos temporários da viagem de duração indeterminada das garotas aventureiras. Viagem para espairecer, para abrir a mente, para desvendar, para torrar dinheiro, para buscar alvos em potencial e para perseguir o horizonte.

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

I'm with the dog

13 reasons Jacob is better than Edward:
"1- Jacob is alive. Edward is dead.
2- Jacob is warm and cuddly. Edward is an ice cube. He has to cuddle on top of the sheet so Bella doesn’t freeze.
3- Jacob is happy and smiles all the time. Edward is moodier than a PMSing adolescent.
4- Jacob listens to Bella and compromises. Edward decides what’s good for Bella and dictates.
5- Jacob makes Bella happy. Edward makes Bella anxious and obsessive.
6- Jacob and Bella have equal power in their relationship. Edward has all the power.
7- Jacob made Bella sad for two weeks. Edward make Bella suicidally depressed for many months.
8- It takes Jacob one day to apologize for making Bella miserable. It takes Edward most of a year and a whole lot of drama.
9- Bella loves Jacob for his sunny personality. Bella loves Edward cuz he smells good and looks pretty.
10- Jacob’s age difference to Bella is two years. Edward’s is one hundred (robbing the cradle much?).
11- Jacob is only dangerous to Bella when he’s angry. Edward is dangerous all the time (especially once a month: If Bella’s paper cut puts him on edge, what does her period do?).
12- To be with Jacob, Bella would live life to its fullest. To be with Edward, Bella would say goodbye to all family and friends and DIE.
13- Did I mention: Jacob is hot. Edward is freezing. Who wants to cuddle with an ice cube?"

Por: essa moça. Achei genial e postei.

What can I do? I love the dog.

domingo, 2 de novembro de 2008

Turn down the lights and light up the party

As luzes piscavam loucamente na sala ampla, a música batia nas paredes e caia direto naqueles que dançavam. Alguns chutavam o ar e se sacudiam, sem vergonha, outros dançavam de modo mais apelativo, um ou dois assistiam da escada, mas todos curtiam. Do lado de fora os mais aventureiros disputavam um campeonato que consistia em mergulhar a cabeça num balde com gelo, algumas garotas acompanhavam tudo aos risos, um casal papeava na calçada, um grupo de garotos explorava o carro do outro lado da rua, com neon verde, luz negra e todo o resto, outros comiam e por aí foi. A madrugada mal havia começado e os mais velhos resolveram jogar espuma no resto da festa, o jogo aumentou para atirar bolo e depois para atirar os próprios presentes na piscina. A vampira se escondeu sob a capa, o menorzinho, não teve jeito, foi parar na piscina, a pseudo-gótica levou uma bôlada na cara e piscina, o vampiro e o esqueleto a jogaram, Adão passou o fim da festa de cueca tentando enxugar suas calças e a moda pegou. Os que dormiram na casa assistiram um daqueles filmes de terror cheios de sangue e arames-farpados e fizeram nada de ressaca o resto do dia. A próxima bem que podia ter uma fogueira na varanda com as estrelas e todo o resto, besteiras comestíveis, todos os amigos e tal e coisa.
Adoro fins de semana.

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Meus bilhetes

Cinco amigos, uma escola, um belo dia. L., S., A., E., e eu, passamos o recreio juntos como sempre, nada de muito revelador. Voltamos, tivemos as últimas aulas do dia e o sinal bateu. Enquanto eles arrumavam seus materiais, quase que ao mesmo tempo, cada um encontrou um bilhete de caligrafia arrastada e cheia de pressa. Nos juntamos na porta da sala como de costume e cada um tirou seu respectivo bilhete do bolso. O de L. dizia "Pára de fingir. Não serei seu passa-tempo", o de S. "Chega de drama, o mundo não gira em torno do teu umbigo", o de A. "Não dá mais para ser sua cachorrinha" e o de E. "Cadê teu senso de humor? E tua sinceridade?". Perguntaram se eu também havia recebido um, assenti tirando um papelzinho dobrado do bolso, a caligrafia arrastada me dizia "Falsa; Covarde". Meus amigos ficaram entretidos com aquilo tudo e passaram todo o caminho até o portão especulando quem seria o autor dos tais bilhetes, eu ria em silêncio. Encerrei a conversa com um "deve ser brincadeira de alguém" e fui para casa satisfeita e aliviada por ter dito à eles - e à mim mesma - o que eu queria. Bilhetes, como eu não havia pensado nisso antes?

And a happy halloween

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Enquanto nado em silêncio penso no que me agonia, onde vocês arranjaram coragem para me deixar sozinha aqui? Maldita passagem só de ida pra terra do Longe de Mim. Não entendem a necessidade de sorrir por vocês estarem perto, não entendem a dor no peito de quem ama gente ausente, não entendem o que causaram ao me deixar aqui achando que noutro breve dia quente eu voltaria a respirar.
Ouço meu coração bater desritmado e ecoar n'água. O ar me falta, mas eu não vou voltar à superfície, voltar à realidade, à falta de propósito. Meus olhos ardem, mas eu não vou reprimir as lágrimas que se misturam. Meus pulmões gritam, mas eu não vou me livrar da água que me invade.
Vou continuar nadando em silêncio, boiando em silêncio, chorando em silêncio, sofrendo em silêncio, até a música voltar e juntar os pedaços do meu coração.

sábado, 25 de outubro de 2008

Terceiro show

Hoje, terceiro e último show. They'll rock Porto Alegre tonight!
Saber que eles estão bem ali, no extremo do país, do meu país e não poder estar lá gritando com eles é no mínimo frustrante. Então grito daqui. E grito mais alto.
Well..here's My Heart

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Segundo show

Porque você sabe, né? Quanto mais eles gostarem dos shows daqui, mais rápido eles voltam. Se eles voltarem logo a gente ainda pega um show no nosso país tropical, mas se não, teremos que ir atrás e eu realmente não me incomodo.
Eu posso até ver.
Os celulares e máquinas dançando freneticamente, as gargantas arranhando, os cabelos que pareciam nunca terem sido penteados, pares de mãos se esmagando mutuamente, dedos se quebrando tentando conter a adrenalina, montes e montes de pessoas contendo - ou não - os pulinhos. Até que tudo escurece. As guitarras explodem junto com as luzes, os gritos e os cinco sacudindo as cabeças no palco. Os fãs começam a fazer tudo o que faziam antes de uma vez só, pular dando gritinhos se descabelando e quebrando os dedos de seus companheiros.
I give it all my oxygen
To let the flames begin

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

terça-feira, 21 de outubro de 2008

Os dois andavam lentamente lado-a-lado depois de uma longa tarde de aula, sem um destino certo.
- Esses dias estão meio nublados demais. - A garota comentou afundando as mãos nos bolsos.
- Ahm? - Ele puxou o fone do ouvido.
- Os dias.. estão nublados demais. - Ela repetiu, encarando-o.
Ele assentiu triste e recolocou o fone no lugar.
- Posso escolher a próxima? - Ele perguntou estendendo a mão.
Ela murmurou qualquer coisa e tirou as mãos do bolso, o aparelho reprodutor de músicas de um verde-desbotado veio com uma das mãos, e o entregou ao garoto. Ele girou o polegar rápido pelo disco do Menu, apertou mais um par de botões e devolveu o aparelho à garota. Uma guitarra começou rápida nas cabeças dos dois e ela sorriu, era a música que ele sempre escolhia, como ela não desconfiou? Trocaram um olhar rápido junto com a vontade de cantar e pararam em um lugar qualquer.
Ele levou o microfone imaginário para perto da boca enquanto ela tocava o piano no ar, as palavras cantadas aos seus ouvidos os preparavam para a melhor parte.
Together... together we will float, like, angels
E as palavras flutuavam, os dois pares de olhos fechados enquanto sussuravam a frase, era quase que regra. E depois jogar a cabeça. Uma gritaria controlada da parte do vocalista, mais guitarra e a mudança repentina na música, tudo pára e vem a batida animada.
If your stomach feels weak then my work here is done
Outro momento que era regra. Ele sorria, afinava a voz e balançava a cabeça com a batida. Ela só ria dele. Ria dele e esquecia o nublado, esquecia tudo. Eram os melhores cinco segundos da música. Ou do mundo.
E aí vinha mais gritaria, guitarra, gritaria com guitarra e uma sirene. E sorrisos.

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Por que esse medo todo? Alguém me responde. Alguém?
Eu não quero que o amanhã chegue, e se o amanhã for muito diferente do hoje? O hoje já foi bem diferente do ontem e eu não quero que as coisas fiquem mais e mais distantes do ante-ontem, dá pra entender?
Medo. Eu tou com medo. Tou morrendo de medo de tudo, morrendo de medo de nada.
Morrendo.
Medo.

A gente tem mesmo que promover o desapego?

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

The story of a life

Eu lembro bem, éramos crianças, crianças normais, crianças que viveram, não dessa nova geração de crianças loucas que vão pra balada a noite e ficam no Orkut até tarde, éramos apenas crianças. Eu e você naquele parque perto de casa, você jogava bola com a sua turma e eu pulava amarelinha com a minha, no quadrado cinco sua bola resolveu me conhecer, caí de bunda no chão e esfreguei o rosto com as mãos sujas, minhas mãos me encararam cheias de um vermelho vivo enquanto todas as minhas amigas gritavam e se desesperavam. Seus amigos riram, mas quando o vermelho chamou a atenção deles, todos correram até mim. Você tirou a camisa nem tão limpa do corpo e secou meu rosto, lembro de pensar 'eca, é um menino', mas estava muito atordoada para tocar em você e te empurrar. Perguntou muitas vezes se eu estava bem, lhe disse que sim e você foi embora, descrente. Foi a primeira das vezes em que você cuidou de mim.
Depois do parque lembro de cruzar com você várias vezes pelas ruas perto de casa, você me chamava pra brincar por consideração e eu recusava, para o alívio de ambas as partes, por medo de pegar piolho. Os anos que seguiram foram assim até a conhecida 'pré-adolescência', fase em que eu, você e todas os outros com nossa idade começamos a nos interessar pelo sexo oposto, fase em que as garotas andavam em bandos dando risadinhas e que os garotos desfilavam com pose de atleta por perto desses bandos. Uma das garotas da nossa turma da escola resolveu dar uma festa, todos os nossos amigos estavam lá e você estava uma gracinha, você me ofereceu um copo de refrigerante e me chamou para passear lá fora, o céu estava lindo e estrelado, você pegou na minha mão e me deu um beijo na bochecha. Foi a primeira vez -das muitas- que namoramos.
O tempo passou e nós passamos com ele, um pouco mais velhos você me chamou para ir ao cinema com você e seus amigos. Aceitei. Na porta do cinema eu esperava nervosa, não sabia porque, mas estava nervosa. Você chegou sozinho, disse algo sobre alguns amigos terem desistido, outros estarem de castigo, outros viajando e outros não terem confirmado se iam, eu, ingênua, acreditei. No meio do filme você me cutucou, eu virei e você me roubou um beijo, passei mais tempo do que gostaria digerindo a informação e você esperando o pior, no fim das contas nos beijamos outra e outra vez. Foi o primeiro dos filmes que não assistimos.
No auge de nosso adolescer, você lembra, o Bruno havia completado dezessete e conseguiu que os pais saíssem de casa para ele dar uma festa, arranjamos bebidas e todo o resto. De todos os convidados, nós éramos os únicos ainda alegres, você me levou para um cômodo qualquer e lá ficamos. Sorrisos, mãos, bocas, barrigas, nucas, coxas, narizes. Foi a primeira vez que nos desejamos.
Por muito tempo seguimos cuidando um do outro, namorando e rompendo sabendo que estaríamos sempre juntos, perdendo cenas cruciais de filmes esquecidos e nos desejando mais e mais até que você se foi. Te levaram de mim e contigo toda aquela certeza. O banco daquele parque foi meu melhor amigo por muito tempo, ele me ouviu, fez companhia, apagou meus cigarros e se molhou com minhas lágrimas, até esperou você voltar. Hoje não choro mais, não choro nem te espero, ninguém nunca voltou do lugar pra onde te levaram -ok, talvez Jesus, mas apenas ele- apenas penso e respiro. Me sinto sufocar toda vez que volto aqui, metade fumaça de cigarro e metade nostalgia, acredito, mas não é uma sensação ruim, me faz acreditar que vou te encontrar mais cedo. Não, não sou nenhum tipo de suicida, mas também não tenho medo de partir. Eu sinto a sua falta.
Porra, e como sinto.

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Porque sempre é melhor postar..né?

A chuva chovia muito forte, maldito dia para sair sem guarda-chuva, os carros voavam na pista provocando ondas enormes de lama e eu tentava fugir delas, avistei uma luz fraca no fim da rua, uma loja, corri até lá e entrei. O lugar era mal-iluminado para uma livraria, era estreito e tinha um cheiro engraçado, dei um par de passos para dentro da loja e me lembrei que estava molhada dos pés a cabeça, um homem que parecia ser o dono do lugar me olhou com um ar de reprovação e desapareceu atrás de algumas estantes, outro se aproximou de mim, sorriu e sussurrou um "está tudo bem", sorri de volta. Larguei o casaco e a mochila ensopados na entrada da loja e fui olhar mais de perto uma das estantes de madeira trabalhada.
Escolhi um livro de capa verde e preta e fui procurar o atendente simpático, ele não estava a vista, criei coragem, apertei o livro contra o peito e fui perguntar o preço ao dono da loja. O dono da loja era um grandalhão ruivo com cara de poucos amigos, ele tomou o livro das minhas mãos, deu uma olhada rápida na contra-capa e grunhiu um 'Trinta e nove', ríspido. Trinta e nove, amassei um par de notas no fundo do bolso, como eu pretendia comprar alguma coisa com apenas vinte? Murmurei um tímido 'obrigada' e me virei rapidamente, dando de cara com alguma coisa. Quando abri os olhos eu e o atendente simpático estávamos caídos no chão com um monte de livros a nossa volta, não pude ver o olhar de desprezo que o grandalhão ruivo me mandou, apenas o conhecido sorriso de "está tudo bem" do atendente. Seus cabelos castanhos caídos sobre o rosto enquanto ele apanhava os livros, seus dentes mordendo o lábio para conter o riso, as mangas da blusa social verde se dobrando e desdobrando junto com os braços, suas orelhas estranhamente pontudas num estilo meio Elfo,.. "Ajude ele, idiota" uma voz gritou na minha cabeça me acordando do transe momentâneo. Lembro de, enquanto apanhava os livros, desejar aquele clichè dos filmes em que as mãos se tocam enquanto eles pegam um objeto - no caso, um dos livros - trocam olhares apaixonados e na cena seguinte se atracam atrás de uma estante qualquer. Enrubeci ao me dar conta que ele olhava para mim e agradeci por ele não poder ler mentes. Ele não podia, podia? Desespero momentâneo, bochechas quentes e frio na barriga, peguei minhas coisas tentando parecer normal, gritei um 'tchau, Elfo' e saí da loja. Tchau, Elfo?! Isso porque eu queria parecer normal, seria melhor ter passado uma cantada de pedreiro no cara e depois a mão na bunda dele!

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Confissão tardia

Ela nem queria, mas ele havia passado o dia com ela - em todos os seus diálogos, em seus pensamentos, em seus devaneios, tudo.

Chegou em casa, atirou as roupas sobre a cama e ligou o computador como de costume. Uma música qualquer começou alta e um barulho intruso lhe chamou atenção, uma barrinha laranja piscava frenética no canto da tela, era ele. Ela clicou na pequena barra, começaram a conversar. Conversa vai, conversa vem e ele soltou: “Deixa eu te dizer uma coisa? Eu te amo.” Ela congelou, leu e re-leu a tal frase, digerindo a informação. Tá, ele era um menino e meninos sempre vulgarizam e exageram as coisas, mas ela se sentiu muito bem mesmo assim. “Tem pessoas que nos fazem bem, né?” Mandou. “Tem sim” ele respondeu. “Você me faz bem” Os dois mandaram simultaneamente, leram e sorriram aquele sorriso, o bobo.


Um belo dia perdido nas páginas do mês de abril.

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Me abraça forte para eu me sentir viva até o último minuto.
E eles sempre me disseram que era um erro. Sempre disseram que era besteira e idiotice me apaixonar por alguém que tinha os dias contados. Mas eu não achei ruim de jeito nenhum ter me apaixonado por você, ter passado por tudo o que a gente passou, ter vivido cara momento e ter dividido cada resquício de felicidade contigo. Não me arrependo. Sofri e ainda sofro com a sua falta, mas o que eu posso fazer? Se você não tivesse me feito prometer não acelerar as coisas pode ter certeza de que eu estaria aí com você, onde quer que você esteja, mas eu posso esperar. O que são mais alguns anos, eu nem devo durar muito. Ponho a culpa na medicina mesmo sabendo que sem ela você não teria me acompanhado por tanto tempo.

Pelos meus ovários!! Pra onde foi minha criatividade?!

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

The baby brother

Gracinha. Companheiro. Tudo de bom.
Com 13 anos a gente já é adolescente?
Bem, você é o meu favorito.
Feliz aniversário atrasado, criatura.

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Promessa de eternidade

- Aí quando a gente casar a gente pode morar em algum lugar legal aqui perto. - Ele disse num tom nem tão brincalhão assim.


Não vou esquecer aquele sorriso bobo que estava na sua cara quando te levaram, aquela sua expressão de quem não sabe o que está acontecendo, mas está muito feliz por estar recebendo atenção.

“Vamos passear de carro” você deve ter pensado.

Encostei minha mão triste no vidro igualmente frio e gravei o momento na cabeça. Você não estava mais na rua, talvez estivesse na esquina, mas não adiantava mais nada. Abracei o meu irmão por um momento, ele não agüentou te ver partir, o deixei sozinho no quarto, ele não ia querer que eu estivesse lá n’uma hora assim.

A porta da sua casa você deixou aberta, abestada. Nem se deu ao trabalho de fechar, deixou um provocante “venha até aqui para fechar a porta e lembre de mim” no ar. Boba.

Quem dera n’uma daquelas tardes tomando sol você tivesse me arranhado profundo o bastante para deixar uma cicatriz. Uma cicatriz para eu olhar e lembrar do quão estúpida fui com você. Se bem que você até deixou, metaforicamente.

Desculpa, Laila. De qualquer forma.. todo mundo sabe que você vai ser mais feliz lá.


quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Continuei ali com o nariz encostado no dele, estávamos longe da pista de dança mas a música estava alta o suficiente para nos forçar a conversar bem de perto, as luzes piscavam frenéticas colorindo nossos rostos, já sentia aquele copo de qualquer-coisa fazer efeito, era tudo engraçado e magicamente calculado.
Eu fingia não escutar só pra ele repetir ao meu ouvido, em certas ocasiões roçava meu rosto no dele quase sem intenção, aquela barba de fim de tarde me arrepiava, fingi não notar quando ele colocou a mão na minha cintura e ele fingiu não notar que eu chegava mais perto. Fingimos não notar que nos beijamos também, afinal de contas ele não deixava de ser o namorado da minha melhor amiga.

segunda-feira, 22 de setembro de 2008


Tudo o que eu acho parece tão óbvio na minha cabeça que a idéia de verbalizar soa ridícula.
Então não vou.
Vou te mostrar quem é covarde! Assim que..assim que.. eu arranjar um punhado de sal.
Ann Blacknails, ligar ou não ligar?

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Ritmo, batida e pulsação

Lembro de pegar aquela minha camiseta branca e botar a azul de botão por cima, vestir as calças largas, escolher cuidadosamente um boné que ficasse legal e passar litros de perfume. Peguei minhas baquetas da sorte, a bateria já estava no carro, calcei aqueles tênis I'm a Sk8er e saí.
Lembro de passar o caminho suando frio, era a primeira vez que eu ia tocar em uma festa e eu queria impressionar, queria te impressionar.
Cheguei e encontrei o pessoal no estacionamento, eles me ajudaram a descer com as coisas e montar tudo. Faltavam duas horas pra começar e eu sentia que ia precisar de uma camiseta nova.
Ensaiamos todas as músicas escolhidas para a ocasião, estávamos indo muito bem, quebrei uma baqueta no meio do ensaio, mas eu tinha uma bolsa cheia delas.
Faltava meia hora e você entrou no nosso camarim improvisado, cumprimentou todo mundo com aquela sua alegria louca e começou a mandar. Todos saíram pra se trocar e eu me dei conta de que eu só tinha uma roupa para o show, era a que eu estava usando - e digamos que ela não estava das mais secas. Minha única opção foi tirar a blusa de baixo e ficar só com a de botão.
Estávamos entrando no palco improvisado e ela veio até mim, não disse nada em momento algum, simplesmente abriu minha blusa até embaixo, virou meu boné para trás e dobrou a barra das minhas calças. Realmente fiquei com mais cara de baterista daquele jeito. Ela me deu um beijo, não sei se intencional, no canto da boca e saiu. Fiquei plantado ali igual a um idiota antes de voltar à Terra.
Lembro de entrar naquele palco apertado, sentar e procurar você no meio daquela gente, deviam ter umas trinta pessoas naquela parte da festa, na nossa parte da festa, quase todos eram nossos amigos groupies. O Guts puxou nossa primeira música, eu ainda estava nervoso, mas estava me virando bem, resolvi dar uma de fodão no meio da música e lá se foi outra baqueta, pensei que seria uma boa hora de usar minhas baquetas da sorte e voltei a tocar, o pessoal fingiu que não notou meu pequeno acidente e entramos na segunda música.
Terceira música, o lugar foi enchendo e nada de você, só na quarta música te encontrei, você deu um jeito de chegar bem perto da'gente e estava ali me olhando nos olhos. Quarta música, eu sabia que era a sua favorita e enquanto tocava cantei baixinho, só pra você. Você ria pra mim, pulava e jogava o cabelo.
Terminamos a quinta música, o Guts gritou qualquer coisa para o pessoal e a gente saiu, dando lugar ao DJ. Sentia meu coração pulsar no ritmo da última música, o suor escorria por todo o meu corpo, voltamos ao camarim improvisado, gritamos uns gritos de aprovação e fomos jogar uma água no rosto.
Lembro que pouca coisa depois você apareceu na porta outra vez, dessa vez gritando e pulando em todos, dava pra ver o quão feliz por nós você estava, por um momento realmente acreditei que fossemos tipo astros do rock.
Você veio correndo pra mim e pulou, te abracei forte, enquanto você gritava elogios me dava uma chuva de beijos nas bochechas, eu não prestava atenção em mais nada, também não sei direito com que coragem, mas te botei no chão e te beijei. Silêncio. Depois do que parecia uma eternidade você me beijou de volta. Lembro vagamente dos caras voltarem a gritar e comemorar, não entendi o que eles diziam mas acho que ouvi meu nome. Você me largou, ficamos um tempão de nariz colado nos olhando - ainda lembro de cada sarda sua - você sorriu e me beijou, meu coração começou a pulsar no ritmo da quarta música, a sua favorita, nossa favorita, e aposto que o seu fez o mesmo.