domingo, 30 de agosto de 2009

Por falta de coragem no peito eu corri, corri em silêncio pra dentro da mata fechada, meus pés descalços sangravam, a barra do meu vestido há muito havia se perdido nos galhos das árvores que me encaravam, o verde - agora desbotado - de minhas roupas me lembrava você, as faces e braços das árvores me lembravam você, minhas lágrimas cristalinas me lembravam você, a melodia que ecoava na minha cabeça me lembrava você. Vivo num conto de fadas, posso ir e vir por motivos estúpidos, posso ter alguém pra me salvar no fim de cada problema, mas talvez fosse diferente agora. Minha respiração desritmada se espalhava pela floresta, junto com minha melodia, tornando-a meio desesperada. Espero que você entenda meus motivos, não poder mais encarar teus olhos verdes é ao mesmo tempo céu e inferno. Meu chão virou baralho, as cartas começaram a se abrir e eu a cair, todos os naipes e números passavam por mim, bem como Ace, Jack, King and Queen, com pressa no olhar. Não gritei por ajuda, deixei-me cair, pois pelo menos seria o mais honrado a se fazer numa situação de fim. Me dei conta de que nunca mais te veria e chorei, lágrimas prateadas, douradas e púrpuras, que cortavam o ar sobre a minha cabeça, chorei feliz pelo orgulho de pelo menos ter te conhecido e chorei triste pela saudade que a eternidade de queda me proporcionaria.

2 comentários:

I! disse...

Like in Wonderland.

Marina disse...

dá pra visualizar direitinho, como num filme.