quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Com o que é meu, eu faço o que quiser


Caminhava eu pela calçada agitada de um local que me trás lembranças, devaneando sobre de quem seria a culpa sobre o fim de assuntos antigos, quando esbarrei naquele garoto, magro, alto, preocupado com coisas fora de meu alcance. Ele e suas sobrancelhas arqueadas me gaguejaram um pedido tímido de perdão, e com um último olhar se perderam no fim da minha rua. Sua aflição me capturou de um jeito que eu não sei explicar, só sei que gastei muitos de meus disponíveis minutos em bolar situações e destinos para aquele garoto, e gostei da versão em que ele pisou na bola com um alguém especial, e está correndo até o canteiro para colher uma flor amarela e perseguir sua garota, olhando-a nos olhos e esclarecendo o assunto. Ela reluta, ele se aproxima, ela deixa escapar um meio sorriso, ele suspira de alivio com o coração leve, ambos se riem e tudo termina bem ao acabar bem. Meu garoto alto e tímido eu nunca mais vi, mas isso não o fez menos importante no meu dia, porque se ele tiver pensado em mim uma fração do quanto eu pensei nele, nós fizemos uma diferença na vida um do outro. E ao som de um violão recém-afinado, dedilhado suavemente numa praça antiga por um homem qualquer, nos esvaimos em poeira, nos misturando com as folhas da calçada, ao lado de um carro antigo. Nunca mais nos vimos.
Mesmo que só faça sentido pra mim.
E não que realmente faça.

Um comentário:

Pablo disse...

Haha!
pela milionésima vez eu digo: Vc é foda com a palavras! ^^

Tava até desistindo de acompanhar seu blog... dpois de dias sem postar nada =\

Besos Chica!